UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2025
Mulher de 35 anos, tabagista, há 6 meses com quadro clínico de fadiga associada a poliartrite simétrica de articulações interfalangeanas proximais, metacarpofalangeanas, punhos e tornozelos. Queixa de rigidez articular matinal que dura mais de 1 hora e melhora ao longo do dia. Nega queda de cabelo, úlceras orais, lesões cutâneas, sintomas respiratórios e do aparelho digestivo. Nega, ainda, histórico no último ano de viagens, infecções e contato próximo com pessoas com doenças infectocontagiosas. Nega, também, diagnóstico prévio de outras doenças. Em avaliação laboratorial, apresenta o seguinte resultado: fator reumatóide: 50UI/mL (valor de referência: reagente se superior a 14UI/mL). Com base no caso clínico exposto, a primeira escolha terapêutica em monoterapia deve ser
Artrite Reumatoide: poliartrite simétrica + rigidez matinal > 1h + FR positivo → Metotrexato (DMARD) 1ª linha.
O caso clínico descreve um quadro clássico de Artrite Reumatoide (AR) com poliartrite simétrica, rigidez matinal prolongada e fator reumatoide positivo. O metotrexato é o DMARD (Disease-Modifying Antirheumatic Drug) de primeira escolha em monoterapia para a AR, devido à sua eficácia em controlar a doença e prevenir a progressão do dano articular.
A artrite reumatoide (AR) é uma doença inflamatória crônica, autoimune e sistêmica, que afeta predominantemente as articulações sinoviais, levando à dor, inchaço, rigidez e, se não tratada, à destruição articular e incapacidade funcional. É caracterizada por poliartrite simétrica, especialmente de pequenas articulações (interfalangeanas proximais, metacarpofalangeanas, punhos), e rigidez matinal prolongada (> 1 hora). A prevalência é de cerca de 0,5% a 1% da população adulta, sendo mais comum em mulheres. O diagnóstico da AR é clínico, laboratorial (fator reumatoide, anti-CCP, VHS, PCR) e radiológico. A fisiopatologia envolve uma complexa interação de fatores genéticos e ambientais que levam à ativação do sistema imune e à inflamação crônica da membrana sinovial. O tratamento precoce e agressivo é fundamental para controlar a inflamação, prevenir o dano articular irreversível e melhorar a qualidade de vida do paciente. A terapia de primeira linha para a maioria dos pacientes com AR é com os DMARDs (Disease-Modifying Antirheumatic Drugs). Entre os DMARDs, o metotrexato é o fármaco de escolha em monoterapia devido à sua eficácia comprovada, perfil de segurança conhecido e custo-benefício. Ele atua como um antimetabólito, inibindo a proliferação de células inflamatórias e a síntese de citocinas. Outros DMARDs como sulfassalazina e hidroxicloroquina podem ser usados, muitas vezes em combinação. Em casos de falha terapêutica aos DMARDs convencionais, as terapias biológicas (inibidores de TNF-alfa como adalimumabe, entre outros) são indicadas. Residentes devem dominar o diagnóstico e o manejo inicial da AR, enfatizando a importância do início precoce do tratamento com DMARDs para otimizar os resultados.
Os principais critérios clínicos para o diagnóstico de artrite reumatoide incluem poliartrite simétrica (envolvimento de três ou mais articulações), principalmente em pequenas articulações das mãos e pés, rigidez matinal com duração superior a 30-60 minutos, e duração dos sintomas por mais de seis semanas. Fatores sorológicos como fator reumatoide e anti-CCP também são importantes.
O metotrexato é o DMARD (medicamento antirreumático modificador da doença) de primeira escolha devido à sua eficácia comprovada em reduzir a inflamação, controlar a progressão da doença e prevenir o dano articular, além de ter um perfil de segurança bem estabelecido e ser relativamente acessível. Ele atua inibindo a proliferação celular e a inflamação.
Outros DMARDs, como sulfassalazina ou hidroxicloroquina, podem ser usados em combinação ou como alternativa em casos de intolerância ao metotrexato. As terapias biológicas (como o adalimumabe) são geralmente reservadas para pacientes com doença moderada a grave que não respondem adequadamente aos DMARDs convencionais, seja em monoterapia ou em combinação.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo