UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2022
Mulher, 64 anos de idade, hipertensa e diabética, apresenta angina estável há 3 anos, em tratamento medicamentoso irregular, não otimizado. Ecocardiograma: função biventricular preservada, sem alteração valvar. Coronariografia: lesão triarterial com 40% de obstrução nas artérias descendente anterior, circunflexa e coronária direita distal. Qual é o tratamento mais adequado?
Angina estável com lesão <50% e tratamento não otimizado → Otimizar terapia médica antes de revascularização.
Em pacientes com angina estável e lesões coronarianas de gravidade intermediária (<50%), a otimização da terapia médica é a pedra angular do tratamento inicial. A revascularização é considerada para lesões mais significativas ou sintomas refratários à terapia otimizada.
A doença arterial coronariana (DAC) estável é uma condição crônica caracterizada por isquemia miocárdica induzida por esforço, geralmente devido a aterosclerose. É uma das principais causas de morbimortalidade cardiovascular globalmente, afetando milhões de indivíduos, especialmente aqueles com fatores de risco como hipertensão e diabetes. O manejo adequado é crucial para melhorar a qualidade de vida e o prognóstico dos pacientes. O diagnóstico da DAC estável baseia-se na história clínica de angina, testes de estresse e, em casos selecionados, na coronariografia. A fisiopatologia envolve o desequilíbrio entre oferta e demanda de oxigênio miocárdico. Em pacientes com lesões coronarianas de gravidade intermediária (estenose <50-70%), a suspeita de isquemia deve ser confirmada funcionalmente antes de considerar procedimentos invasivos. O tratamento da angina estável inicia-se com a terapia médica otimizada, que inclui modificação do estilo de vida, controle rigoroso dos fatores de risco (hipertensão, diabetes, dislipidemia) e uso de medicamentos como antiagregantes plaquetários, estatinas, betabloqueadores e nitratos. A revascularização (PCI ou CRM) é reservada para pacientes com sintomas refratários à terapia máxima, lesões de alto risco (ex: tronco de coronária esquerda, triarterial com disfunção ventricular) ou evidência de isquemia extensa, visando melhorar sintomas e, em alguns cenários, a sobrevida.
A revascularização é indicada para angina estável quando há lesões coronarianas significativas (>50-70%, dependendo do vaso e escore de risco) ou sintomas refratários à terapia médica otimizada, visando melhorar a qualidade de vida e, em alguns casos, o prognóstico.
A terapia médica otimizada é fundamental na doença arterial coronariana estável, pois controla os sintomas, previne eventos cardiovasculares e melhora a sobrevida. Inclui antiagregantes, estatinas, betabloqueadores e inibidores da ECA/BRA.
A gravidade de uma lesão coronariana é avaliada pela porcentagem de estenose na angiografia, mas também por métodos funcionais como FFR (Fractional Flow Reserve) ou iFR (instantaneous wave-Free Ratio), que determinam o impacto hemodinâmico da lesão.
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