HSM - Hospital Santa Marta (DF) — Prova 2022
Uma paciente foi atendida no pronto-socorro com manifestação de alergia por ter comido um empanado com frutos do mar. Chegou com exantema morbiliforme, prurido ocular, edema palpebral, coriza nasal, com congestão, prurido nasal e por todo corpo. Foi prontamente atendida e realizado prometazina intramuscular, mas como não obteve resposta, começou a apresentar taquicardia, irritabilidade e cefaleia. Então administrou-se outra dose de prometazina endovenosa. A paciente evolui com sonolência excessiva e hipotensão.Acerca desse caso clínico, assinale a alternativa correta.
Anafilaxia → Epinefrina IM é a primeira linha. Anti-histamínicos e corticoides são adjuvantes, não substituem a epinefrina.
O quadro clínico da paciente, com exantema, prurido, edema, coriza e progressão para taquicardia, irritabilidade e hipotensão, é altamente sugestivo de anafilaxia. A epinefrina intramuscular é o tratamento de primeira linha e deve ser administrada prontamente. Anti-histamínicos (como prometazina ou difenidramina) e corticosteroides são terapias adjuvantes, mas não são suficientes para reverter a anafilaxia e não devem atrasar a administração da epinefrina.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave, de início rápido e potencialmente fatal. É caracterizada por uma liberação maciça de mediadores inflamatórios que afetam múltiplos sistemas orgânicos, levando a sintomas como urticária, angioedema, broncoespasmo, hipotensão e choque. A identificação precoce e o tratamento imediato são cruciais para a sobrevivência do paciente. A epinefrina (adrenalina) é o tratamento de primeira linha e mais importante para a anafilaxia. Sua ação alfa-adrenérgica causa vasoconstrição, aumentando a pressão arterial e reduzindo o edema, enquanto sua ação beta-adrenérgica promove broncodilatação e inibe a liberação de mediadores. A via intramuscular na coxa é preferencial devido à rápida absorção. O atraso na administração da epinefrina é um fator de risco para desfechos desfavoráveis. Anti-histamínicos (como prometazina, difenidramina) e corticosteroides são considerados terapias adjuvantes. Os anti-histamínicos podem aliviar o prurido e a urticária, mas não revertem o broncoespasmo ou a hipotensão. Os corticosteroides podem ajudar a prevenir reações bifásicas (recorrência dos sintomas horas após a melhora inicial), mas seu início de ação é lento e não têm papel na fase aguda da anafilaxia. A administração exclusiva ou primária de anti-histamínicos e/ou corticosteroides, sem epinefrina, é um erro grave que pode levar à progressão do choque e óbito. Após a estabilização, o paciente deve ser observado por um período prolongado devido ao risco de reações bifásicas.
A anafilaxia é diagnosticada pela presença de sintomas agudos que afetam dois ou mais sistemas orgânicos (pele/mucosas, respiratório, cardiovascular, gastrointestinal) após exposição a um alérgeno conhecido ou provável. Sintomas como urticária, angioedema, dispneia, broncoespasmo, hipotensão e vômitos são comuns.
A dose recomendada de epinefrina aquosa 1:1000 é de 0,3 a 0,5 mg para adultos, administrada por via intramuscular na face anterolateral da coxa. A dose pode ser repetida a cada 5 a 15 minutos, se necessário, até a melhora dos sintomas ou chegada de suporte avançado.
Anti-histamínicos (H1 e H2) e corticosteroides são terapias adjuvantes que podem ajudar a aliviar sintomas cutâneos (prurido, urticária) e prevenir reações bifásicas, respectivamente. No entanto, eles não tratam os sintomas cardiovasculares ou respiratórios graves e não devem atrasar a administração da epinefrina, que é a terapia salvadora.
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