Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2024
Mulher de 27 anos é atendida apresentando quadro de dispneia após picada de vespa na perna. Ao exame físi co: pressão arterial: 86 x 54 mmHg; frequência cardíaca: 130/min; frequência respiratória: 20/min; sibilos expiratórios são observados; os lábios estão edemaciados; há lesões cutâneas urticariformes. Ela recebe 1L de soro fisiológico 0,9% intravenoso, salbutamol nebulizado e epinefrina intramuscular. Os sinais vitais normalizam e a dispneia melhora. Quarenta e cinco minutos depois, a pressão arterial sistólica é de 88 mmHg, a frequência cardíaca de 128/min e a sibilância retorna. Qual das alternativas a seguir é o tratamento mais adequado?
Anafilaxia refratária/bifásica → repetir epinefrina IM é a conduta essencial, não vasoativos de segunda linha.
A anafilaxia é uma emergência médica que exige tratamento imediato com epinefrina intramuscular. Em casos de resposta inicial inadequada ou recorrência dos sintomas (anafilaxia bifásica), a epinefrina deve ser repetida, pois é o medicamento de primeira linha e mais eficaz para reverter os efeitos da reação alérgica grave.
A anafilaxia é uma reação de hipersensibilidade sistêmica grave e potencialmente fatal, caracterizada por início rápido e que pode levar ao choque. A causa mais comum inclui picadas de insetos, alimentos e medicamentos. Os sintomas envolvem pele (urticária, angioedema), respiratório (dispneia, sibilos), cardiovascular (hipotensão, taquicardia) e gastrointestinal. O tratamento de primeira linha e mais crucial para a anafilaxia é a administração imediata de epinefrina (adrenalina) por via intramuscular, preferencialmente na face anterolateral da coxa. A epinefrina atua rapidamente, revertendo a broncoconstrição, a vasodilatação e o angioedema, e aumentando a pressão arterial. Fluidos intravenosos, oxigênio e monitorização são medidas de suporte essenciais. Em casos de anafilaxia refratária (sintomas persistentes apesar da dose inicial de epinefrina) ou anafilaxia bifásica (recorrência dos sintomas após melhora inicial), a epinefrina deve ser repetida a cada 5-15 minutos conforme a necessidade. Corticosteroides e anti-histamínicos são adjuvantes, mas não substituem a epinefrina e não devem atrasar sua administração. O paciente deve ser observado por um período prolongado para monitorar a possibilidade de uma reação bifásica.
A epinefrina (adrenalina) intramuscular é a primeira e mais importante linha de tratamento para anafilaxia, devendo ser administrada prontamente na face anterolateral da coxa, com dose de 0,3 a 0,5 mg (0,3 a 0,5 mL de solução 1:1000) em adultos.
Anafilaxia bifásica é a recorrência dos sintomas após uma melhora inicial, sem nova exposição ao alérgeno. O tratamento é o mesmo do episódio inicial, com repetição da epinefrina intramuscular, e o paciente deve ser monitorado por um período prolongado (4-24 horas) devido a essa possibilidade.
A epinefrina atua rapidamente em múltiplos receptores (alfa e beta-adrenérgicos), causando vasoconstrição (aumenta PA), broncodilatação (melhora dispneia) e reduzindo a liberação de mediadores inflamatórios, sendo o único fármaco que reverte a progressão da anafilaxia e salva vidas.
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