CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010
Qual das técnicas adjuvantes utilizadas no tratamento do pterígio está mais associada ao afinamento escleral tardio com pouca inflamação ocular?
Radiação beta no pterígio → risco de afinamento escleral tardio avascular e necrose.
A radiação betaionizante atua inibindo a proliferação fibroblástica, mas sua toxicidade aos vasos epiesclerais e ceratócitos pode causar necrose escleral progressiva anos após o tratamento.
O tratamento do pterígio evoluiu de técnicas puramente excisionais para abordagens que visam reduzir a alta taxa de recidiva. A radiação beta foi muito popular no passado, mas caiu em desuso devido aos efeitos colaterais estromais permanentes. O conhecimento dessas complicações é vital para o diagnóstico diferencial de quadros de afinamento escleral em pacientes idosos com história cirúrgica ocular remota. Fisiopatologicamente, a esclera depende de um suprimento vascular epiescleral íntegro para sua manutenção. A radiação ionizante compromete essa vascularização de forma irreversível. Em provas de residência, o termo 'afinamento tardio com pouca inflamação' é o gatilho clássico para radiação betaionizante, diferenciando-a de processos infecciosos ou imunológicos como a esclerite necrosante.
A radiação betaionizante, geralmente utilizando o Estrôncio-90, emite partículas que penetram nos tecidos superficiais do olho. Seu mecanismo de ação baseia-se na inibição da mitose de fibroblastos e células endoteliais, o que previne a recidiva do pterígio. No entanto, essa radiação causa uma endarterite obliterante e destruição permanente de ceratócitos e fibroblastos esclerais. Com o passar dos anos, a falta de renovação celular e a isquemia tecidual levam ao afinamento progressivo da esclera, que se torna avascular e quebradiça, muitas vezes sem sinais inflamatórios exuberantes, podendo evoluir para perfuração ocular.
Atualmente, o transplante autólogo de conjuntiva (ou limboconjuntival) é considerado o padrão-ouro. Diferente da técnica de esclera nua, que apresenta taxas de recidiva de até 80%, o autotransplante reduz significativamente o retorno da lesão para taxas inferiores a 5-10%. O uso de adjuvantes como Mitomicina C ou radiação beta foi amplamente substituído pela técnica cirúrgica refinada devido ao perfil de segurança superior do autotransplante, que não compromete a integridade estrutural da esclera a longo prazo.
A Mitomicina C (MMC) é um antimetabólito que inibe a síntese de DNA. Suas complicações, como ceratopatia ponteada, defeitos epiteliais persistentes e afinamento escleral, tendem a aparecer mais precocemente ou estar relacionadas a concentrações inadequadas. Já a radiação betaionizante é classicamente associada a complicações muito tardias, ocorrendo décadas após o procedimento. O afinamento por radiação é tipicamente 'branco' (avascular) e com pouca reação inflamatória, enquanto a toxicidade por MMC pode apresentar maior componente irritativo inicial.
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