Pterígio: Radiação Beta e Risco de Afinamento Escleral

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2010

Enunciado

Qual das técnicas adjuvantes utilizadas no tratamento do pterígio está mais associada ao afinamento escleral tardio com pouca inflamação ocular?

Alternativas

  1. A) Transplante autólogo limboconjuntival
  2. B) Técnica da esclera nua
  3. C) 5-fluoracil
  4. D) Radiação betaionizante

Pérola Clínica

Radiação beta no pterígio → risco de afinamento escleral tardio avascular e necrose.

Resumo-Chave

A radiação betaionizante atua inibindo a proliferação fibroblástica, mas sua toxicidade aos vasos epiesclerais e ceratócitos pode causar necrose escleral progressiva anos após o tratamento.

Contexto Educacional

O tratamento do pterígio evoluiu de técnicas puramente excisionais para abordagens que visam reduzir a alta taxa de recidiva. A radiação beta foi muito popular no passado, mas caiu em desuso devido aos efeitos colaterais estromais permanentes. O conhecimento dessas complicações é vital para o diagnóstico diferencial de quadros de afinamento escleral em pacientes idosos com história cirúrgica ocular remota. Fisiopatologicamente, a esclera depende de um suprimento vascular epiescleral íntegro para sua manutenção. A radiação ionizante compromete essa vascularização de forma irreversível. Em provas de residência, o termo 'afinamento tardio com pouca inflamação' é o gatilho clássico para radiação betaionizante, diferenciando-a de processos infecciosos ou imunológicos como a esclerite necrosante.

Perguntas Frequentes

Por que a radiação beta causa afinamento escleral tardio?

A radiação betaionizante, geralmente utilizando o Estrôncio-90, emite partículas que penetram nos tecidos superficiais do olho. Seu mecanismo de ação baseia-se na inibição da mitose de fibroblastos e células endoteliais, o que previne a recidiva do pterígio. No entanto, essa radiação causa uma endarterite obliterante e destruição permanente de ceratócitos e fibroblastos esclerais. Com o passar dos anos, a falta de renovação celular e a isquemia tecidual levam ao afinamento progressivo da esclera, que se torna avascular e quebradiça, muitas vezes sem sinais inflamatórios exuberantes, podendo evoluir para perfuração ocular.

Qual a técnica padrão-ouro atual para evitar recidiva de pterígio?

Atualmente, o transplante autólogo de conjuntiva (ou limboconjuntival) é considerado o padrão-ouro. Diferente da técnica de esclera nua, que apresenta taxas de recidiva de até 80%, o autotransplante reduz significativamente o retorno da lesão para taxas inferiores a 5-10%. O uso de adjuvantes como Mitomicina C ou radiação beta foi amplamente substituído pela técnica cirúrgica refinada devido ao perfil de segurança superior do autotransplante, que não compromete a integridade estrutural da esclera a longo prazo.

Como diferenciar as complicações da Mitomicina C e da Radiação Beta?

A Mitomicina C (MMC) é um antimetabólito que inibe a síntese de DNA. Suas complicações, como ceratopatia ponteada, defeitos epiteliais persistentes e afinamento escleral, tendem a aparecer mais precocemente ou estar relacionadas a concentrações inadequadas. Já a radiação betaionizante é classicamente associada a complicações muito tardias, ocorrendo décadas após o procedimento. O afinamento por radiação é tipicamente 'branco' (avascular) e com pouca reação inflamatória, enquanto a toxicidade por MMC pode apresentar maior componente irritativo inicial.

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