IHOA - Instituto e Hospital Oftalmológico de Anápolis (GO) — Prova 2020
Uma paciente de 22 anos, nuligesta e sem desejo reprodutivo, com dismenorreia progressiva desde a menacma, há 3 anos apresenta quadro de dor pélvica crônica e dispareunia acentuada. Foi indicada laparoscopia para tratamento cirúrgico por dificuldade no controle clínico da dor, sendo realizadas fulguração dos focos de endometriose superficial peritoneal e exérese de lesão profunda retrocervical de cerca de 2 cm. Não há outras anormalidades identificadas na laparoscopia. Qual é a alternativa correta no tratamento adjuvante?
Endometriose pós-cirurgia: progestagênio contínuo (desogestrel) é tratamento adjuvante de escolha para controle da dor e recorrência.
Após tratamento cirúrgico de endometriose, a terapia hormonal contínua com progestagênios, como o desogestrel, é fundamental para suprimir a atividade ectópica do endométrio, reduzir a dor e prevenir a recorrência da doença, especialmente em pacientes sem desejo reprodutivo.
A endometriose é uma doença crônica caracterizada pela presença de tecido endometrial fora da cavidade uterina, afetando cerca de 10% das mulheres em idade reprodutiva. Manifesta-se com dismenorreia progressiva, dor pélvica crônica, dispareunia e infertilidade, impactando significativamente a qualidade de vida. O diagnóstico é clínico e confirmado por laparoscopia com biópsia. A fisiopatologia envolve a implantação e crescimento de células endometriais ectópicas, que respondem aos ciclos hormonais, causando inflamação e fibrose. O tratamento pode ser clínico, com analgésicos e terapia hormonal, ou cirúrgico, para ressecção de focos. A escolha depende da gravidade dos sintomas, localização das lesões e desejo reprodutivo da paciente. Após a cirurgia, o tratamento adjuvante é crucial para manter a remissão da doença e prevenir a recorrência. Progestagênios contínuos, como o desogestrel, são a primeira linha, pois induzem atrofia do tecido endometriótico e suprimem a estimulação estrogênica. Outras opções incluem análogos de GnRH, que induzem um estado de hipoestrogenismo, mas com efeitos colaterais que limitam seu uso a longo prazo. O manejo deve ser individualizado e contínuo.
O tratamento adjuvante visa suprimir o crescimento do tecido endometrial ectópico, reduzir a dor pélvica crônica e diminuir as taxas de recorrência da doença após a intervenção cirúrgica.
O desogestrel, um progestagênio, atua induzindo atrofia do endométrio e do tecido endometriótico, inibindo a ovulação e, consequentemente, a estimulação estrogênica, que é crucial para a progressão da doença.
Além do desogestrel, outras opções incluem outros progestagênios (dienogeste, medroxiprogesterona), análogos de GnRH (com terapia add-back), e contraceptivos orais combinados contínuos, escolhidos conforme o perfil da paciente e efeitos colaterais.
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