CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2024
Uma mulher de 29 anos apresenta-se com episódios recorrentes de cefaleia que duram de 4 a 72 horas quando não tratados. As dores de cabeça são frequentemente unilaterais, pulsáteis, de intensidade moderada a severa, e agravadas pela atividade física rotineira. Ela também relata náuseas e fotofobia durante os episódios. Qual é o tratamento abortivo mais apropriado para os episódios de cefaleia desta paciente?
Enxaqueca com sintomas típicos (unilateral, pulsátil, náuseas, fotofobia) → Triptanos são o tratamento abortivo de escolha.
A paciente apresenta um quadro clássico de enxaqueca, com cefaleia unilateral, pulsátil, moderada a severa, agravada por atividade física, acompanhada de náuseas e fotofobia. Para o tratamento abortivo de episódios de enxaqueca com essas características, os triptanos são a classe de medicamentos mais eficaz e específica.
A enxaqueca é uma cefaleia primária comum e debilitante, caracterizada por episódios recorrentes de dor de cabeça que podem ser acompanhados por sintomas autonômicos e neurológicos. Afeta uma parcela significativa da população, especialmente mulheres jovens, e tem um impacto substancial na qualidade de vida e produtividade. O reconhecimento dos sintomas clássicos é crucial para o diagnóstico correto e para a instituição de um tratamento eficaz, tanto abortivo quanto profilático, visando minimizar a frequência e a intensidade dos ataques. A fisiopatologia da enxaqueca envolve a ativação do sistema trigeminal, liberação de neuropeptídeos como o CGRP e disfunção de vias serotoninérgicas. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios da International Headache Society (IHS), que incluem características da dor (unilateral, pulsátil, moderada a grave, agravada por atividade) e sintomas associados (náuseas, vômitos, fotofobia, fonofobia). A suspeita deve surgir em pacientes com histórico de cefaleias recorrentes com essas características, especialmente se houver impacto significativo nas atividades diárias. O tratamento da enxaqueca é dividido em abortivo (para alívio dos ataques agudos) e profilático (para reduzir a frequência e gravidade). Para o tratamento abortivo, os triptanos são a primeira linha para enxaquecas moderadas a graves, agindo como agonistas seletivos dos receptores de serotonina 5-HT1B/1D. Outras opções incluem AINEs e analgésicos simples para casos mais leves. O tratamento profilático, por sua vez, pode envolver betabloqueadores, antidepressivos tricíclicos, anticonvulsivantes (topiramato, valproato) ou anticorpos monoclonais anti-CGRP. A escolha do tratamento deve ser individualizada, considerando a frequência dos ataques, comorbidades e resposta prévia a medicamentos.
Os critérios incluem pelo menos 5 ataques que duram de 4 a 72 horas (não tratados ou tratados sem sucesso), com pelo menos duas das seguintes características de dor: unilateral, pulsátil, intensidade moderada ou grave, agravada por atividade física de rotina. Além disso, deve haver pelo menos um dos seguintes durante a cefaleia: náuseas e/ou vômitos, fotofobia e fonofobia.
Os triptanos são indicados para o tratamento abortivo de episódios agudos de enxaqueca moderada a grave, ou para enxaquecas leves a moderadas que não respondem a analgésicos simples ou AINEs. Eles devem ser tomados o mais cedo possível após o início da dor, mas não durante a fase de aura.
As contraindicações incluem doença isquêmica cardíaca (infarto do miocárdio prévio, angina), acidente vascular cerebral ou ataque isquêmico transitório prévio, hipertensão não controlada, doença vascular periférica grave, síndrome de Wolff-Parkinson-White e uso concomitante de inibidores da MAO ou outros triptanos/ergotamínicos.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo