INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Um homem com 22 anos, pesando 75 kg, sofreu múltiplas fraturas e contusão pulmonar em acidente automobilístico, evoluindo com SARA (Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto), estando em ventilação mecânica há 7 dias. Apresenta escala de coma de Glasgow < 8. À ausculta pulmonar, observa-se murmúrio vesicular presente, diminuído em bases, associado a estertores finos em bases. A radiografia de tórax mostra imagens sugestivas de consolidações difusas em pulmão direito e esquerdo, típicas de SARA, com infiltrado intersticial difuso. A tomografia de crânio demonstra imagem compatível com hematoma subdural à direita. O paciente apresenta, ainda, pH: 7,35 (valor de referência [VR]: 7,35-7,45); pressão parcial de CO²: 45 mmHg (VR: 35- 45 mmHg); pressão parcial de O2: 85 mmHg (VR: 80 a 100 mmHg);bicarbonato: 24 mmol (VR: 22 a 26 mmol).Nesse caso, de acordo com a Associação de Medicina Intensiva Brasileira (AMIB) – Diretrizes Brasileiras de Ventilação Mecânica, recomenda-se
SARA + VM > 7 dias + Glasgow < 8 → Traqueostomia precoce.
Em pacientes com SARA e ventilação mecânica prolongada (mais de 7 dias), especialmente com rebaixamento do nível de consciência (Glasgow < 8), a traqueostomia precoce é recomendada para reduzir complicações e facilitar o desmame.
A traqueostomia é um procedimento comum em pacientes críticos que necessitam de ventilação mecânica prolongada. A decisão sobre o momento ideal para sua realização, se precoce ou tardia, é um tema de debate, mas diretrizes como as da AMIB fornecem orientações claras baseadas em evidências para otimizar os resultados clínicos. Em casos de Síndrome da Angústia Respiratória do Adulto (SARA) grave, com necessidade de ventilação mecânica por mais de 7 dias e rebaixamento do nível de consciência (Escala de Coma de Glasgow < 8), a traqueostomia precoce é fortemente recomendada. Este procedimento visa não apenas garantir a via aérea, mas também reduzir o espaço morto, facilitar a higiene brônquica e diminuir o risco de lesões laríngeas associadas à intubação orotraqueal prolongada. A realização precoce da traqueostomia pode impactar positivamente o prognóstico do paciente, diminuindo o tempo de internação em UTI, a incidência de pneumonia associada à ventilação e facilitando o processo de desmame e reabilitação. É fundamental que residentes compreendam esses critérios para uma tomada de decisão adequada na gestão de pacientes críticos.
As principais indicações incluem necessidade de ventilação mecânica prolongada (geralmente > 7 dias), dificuldade de desmame, proteção de via aérea em pacientes com rebaixamento do nível de consciência e manejo de secreções.
A traqueostomia precoce pode reduzir o tempo de ventilação mecânica, diminuir a incidência de pneumonia associada à ventilação, melhorar o conforto do paciente e facilitar a mobilização e reabilitação.
Um Glasgow < 8 indica rebaixamento do nível de consciência e risco aumentado de aspiração, sendo um fator que favorece a traqueostomia precoce para proteção da via aérea e manejo de secreções, especialmente em VM prolongada.
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