CERMAM - Comissão Estadual de Residência Médica do Amazonas — Prova 2021
Durante a pandemia de SARS COVID-19, observamos um importante aumento de internações em UTI devido a insuficiência respiratória. Tais pacientes frequentemente enfrentam lesões pulmonares extensas, de recuperação lenta, demandando tempo prolongado de intubação orotraqueal e consequente indicação de traqueostomia.Sobre as traqueostomias em pacientes portadores de infecção por COVID-19, assinale a alternativa INCORRETA:
Traqueostomia em COVID-19: alto risco de contaminação, não deve ser precoce (primeira semana).
A traqueostomia em pacientes com COVID-19 é um procedimento de alto risco para a equipe devido à alta carga viral nas vias aéreas. A realização precoce, especialmente na primeira semana de doença, aumenta o risco de transmissão viral, sendo preferível aguardar a diminuição da carga viral e estabilização do paciente.
A pandemia de COVID-19 trouxe desafios significativos para o manejo de pacientes críticos, especialmente aqueles que necessitam de ventilação mecânica prolongada e, consequentemente, traqueostomia. A traqueostomia é um procedimento comum em UTIs para facilitar o desmame da ventilação, proteger as vias aéreas e melhorar o conforto do paciente, mas em contextos de doenças infecciosas como a COVID-19, apresenta riscos adicionais. A fisiopatologia da COVID-19 envolve uma alta replicação viral nas vias aéreas, tornando procedimentos que geram aerossóis, como a traqueostomia, de alto risco para a equipe de saúde. As indicações para traqueostomia em pacientes com COVID-19 são geralmente as mesmas de outras patologias, focando na necessidade de ventilação prolongada. Contudo, o momento da traqueostomia é crucial. Recomenda-se adiar o procedimento para após a segunda semana de intubação, quando a carga viral tende a ser menor e o paciente está mais estável clinicamente. A equipe deve utilizar EPIs completos e seguir protocolos rigorosos para minimizar a exposição viral, como o clampeamento do tubo orotraqueal durante a incisão e a ventilação controlada.
Os principais riscos incluem a exposição a aerossóis gerados durante o procedimento, como a abertura da traqueia e a manipulação das vias aéreas, que podem conter alta carga viral de SARS-CoV-2, exigindo EPIs rigorosos.
A traqueostomia precoce, especialmente na primeira semana de doença, é desaconselhada devido à alta carga viral presente nas vias aéreas do paciente, o que aumenta significativamente o risco de transmissão do vírus para a equipe cirúrgica. Recomenda-se aguardar.
Cuidados incluem o uso rigoroso de EPIs (máscara N95, capote impermeável, face-shield), clampeamento do tubo orotraqueal antes da abertura da traqueia, minimização do tempo de exposição e ventilação controlada para reduzir a geração de aerossóis.
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