FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2023
Criança de 3 anos e 6 meses da entrada na emergência pediátrica com quadro de insuficiência respiratória. Mãe relata que apresenta tosse seca e coriza há 1 semana, acompanhada de febre que chegou aos 39° nos últimos dias. Há 2 dias percebe estridor quando criança fica mais irritada, sendo que na admissão hospitalar o estridor está intenso. Criança rapidamente evolui para colapso circulatório com necessidade de intubação e transferência para UTI. Durante intubação notou-se faringe com secreção purulenta e necessidade de cânula orotraqueal menor que a calculada para idade. Qual das alternativas mostra a principal hipótese diagnóstica?
Criança com estridor, febre alta, toxicidade sistêmica e secreção purulenta na via aérea → Suspeitar de Traqueíte Bacteriana, emergência pediátrica grave.
A traqueíte bacteriana é uma infecção grave das vias aéreas superiores, frequentemente confundida com crupe viral, mas que se distingue pela febre alta, toxicidade sistêmica, estridor progressivo e, muitas vezes, pela presença de secreção purulenta na traqueia, exigindo intubação e antibioticoterapia.
A traqueíte bacteriana é uma infecção rara, mas potencialmente fatal, das vias aéreas superiores em crianças, que pode levar rapidamente à obstrução grave e insuficiência respiratória. Geralmente ocorre após uma infecção viral prévia que danifica a mucosa traqueal, permitindo a superinfecção bacteriana. É uma condição que exige reconhecimento e intervenção imediatos para evitar complicações graves. A fisiopatologia envolve inflamação e edema da traqueia, com formação de pseudomembranas e secreções purulentas espessas que podem obstruir a via aérea. Os sintomas incluem febre alta, tosse produtiva, estridor inspiratório e expiratório, e sinais de toxicidade sistêmica. A rápida deterioração clínica, a ausência de resposta à terapia para crupe viral e a necessidade de cânula orotraqueal menor que a esperada para a idade são pistas diagnósticas importantes. O manejo da traqueíte bacteriana é uma emergência pediátrica. A prioridade é a estabilização da via aérea, frequentemente exigindo intubação orotraqueal. A antibioticoterapia empírica de amplo espectro, cobrindo Staphylococcus aureus (incluindo MRSA, dependendo da epidemiologia local) e outros patógenos respiratórios, deve ser iniciada imediatamente. O diagnóstico diferencial com crupe viral e epiglotite é crucial para guiar a conduta terapêutica adequada.
O principal agente é o Staphylococcus aureus, mas também podem ser encontrados Streptococcus pyogenes, Haemophilus influenzae não tipável e Moraxella catarrhalis.
A traqueíte bacteriana se diferencia do crupe viral pela febre alta, toxicidade sistêmica e ausência de resposta à epinefrina. Da epiglotite, diferencia-se pela ausência de disfagia proeminente e sialorreia, e pela presença de secreções purulentas na traqueia.
O tratamento inicial envolve a estabilização da via aérea, muitas vezes com intubação orotraqueal, e antibioticoterapia empírica de amplo espectro que cubra Staphylococcus aureus (ex: vancomicina ou clindamicina) e outros patógenos comuns, ajustada após culturas.
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