FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2024
O registro a seguir trata de um exame psíquico no campo objetivo do registro, no formato SOAP.Objetivo:Bom estado geralAvalio minha capacidade negativa antes do exame psíquico.– Apresentação: vestes adequadas à temperatura do ambiente, condizentes com o ambiente que a pessoa frequenta e com temáticas infantis para a idade da pessoa.– Atitude: evasiva, pouco colaborativa e, por vezes, manipuladora.– Contato: empático e sedutor, alternando‑se com momentos de desconfiança.– Consciência: lúcida e consciente.– Atenção: tenacidade e vigilância preservadas.– Orientação: auto e alopsíquica preservadas.– Memória: sem alterações.– Sensopercepção: ausência de alucinações ou ilusões.– Pensamento: fluxo normal e agregado, conteúdo de menos valia e de inferioridade em relação ao mundo.– Crítica e noção de doença: ausência de crítica em relação a exigências irreais sobre os outros e ausência de noção de doença.– Humor e afeto: humor hipotímico e afeto incongruente, pouco ressonante e lábil.– Psicomotricidade: agitação de pernas e mãos, principalmente ao ser questionada sobre relações interpessoais.Com base nessas informações, assinale a alternativa que apresenta o capítulo dentro do DSM V. no qual mais provavelmente será encontrada a hipótese diagnóstica da pessoa avaliada.
Exame psíquico com atitude evasiva, manipuladora, afeto lábil e ausência de crítica → Transtorno da Personalidade (DSM-V).
O exame psíquico detalhado, especialmente a observação da atitude, contato, afeto e crítica, é fundamental para identificar padrões de comportamento e pensamento que se desviam das expectativas culturais e causam sofrimento ou prejuízo funcional, características dos transtornos da personalidade. A ausência de crítica e noção de doença é um forte indicador.
Os transtornos da personalidade representam padrões persistentes e inflexíveis de experiência interna e comportamento que se desviam acentuadamente das expectativas da cultura do indivíduo. Esses padrões são pervasivos e inflexíveis, têm um início na adolescência ou início da idade adulta, são estáveis ao longo do tempo e levam a sofrimento ou prejuízo funcional. No DSM-V, eles são agrupados em três clusters: Cluster A (paranóide, esquizoide, esquizotípico), Cluster B (antissocial, borderline, histriônico, narcisista) e Cluster C (evitativo, dependente, obsessivo-compulsivo). O exame psíquico objetivo é uma ferramenta crucial para a avaliação. A observação de atitudes como evasão, manipulação, sedução, juntamente com um afeto incongruente ou lábil, e a presença de pensamentos de menos valia ou inferioridade, são indicativos. A psicomotricidade, como agitação em momentos específicos, também pode fornecer pistas. Um ponto chave para a suspeita diagnóstica é a ausência de crítica em relação a exigências irreais sobre os outros e a falta de noção de doença. Isso diferencia os transtornos da personalidade de outros quadros psiquiátricos, onde o paciente pode ter mais insight sobre seu sofrimento. A compreensão desses padrões é fundamental para o manejo clínico e para a preparação de residentes em psiquiatria.
Características como atitude evasiva, manipuladora ou sedutora, contato empático alternando com desconfiança, afeto incongruente ou lábil, e, crucialmente, ausência de crítica em relação a exigências irreais ou falta de noção de doença, são sugestivas de transtornos da personalidade.
O DSM-V organiza os transtornos da personalidade em três clusters: A (estranhos/excêntricos), B (dramáticos/emocionais/erráticos) e C (ansiosos/medrosos). O caso descrito na questão aponta para características frequentemente encontradas no Cluster B.
A ausência de crítica e noção de doença é um marcador importante, pois indica que o indivíduo não reconhece seus padrões de comportamento como problemáticos ou causadores de sofrimento, dificultando a busca por ajuda e a adesão ao tratamento.
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