Transtorno do Uso de Álcool: Diagnóstico e Tratamento

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 42 anos é avaliado em consulta de rotina. Ele diz ser saudável e não toma medicamentos. O exame físico é normal, exceto pela pressão arterial de 150 x 94 mmHg. Ao questioná-lo, ele admite beber com os amigos várias noites por semana, tomando de 8 a 12 doses de bebidas alcoólicas destiladas. Ele e a esposa tiveram recentemente várias discussões sobre esse hábito, e ela ameaçou divorciar-se dele, se ele não mudasse de atitude. Apesar disso, diz que não conseguiu mudar. Em uma ocasião, ele foi preso por dirigir embriagado. Ele trabalha regularmente, nunca foi hospitalizado por problemas relacionados ao álcool e nunca apresentou sintomas de abstinência alcoólica. Nesse paciente, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) o conselho enfático de um médico para reduzir o consumo de álcool provavelmente terá sucesso.
  2. B) o fato de ele não ter apresentado sintomas de dependência de álcool demonstra que seu hábito não caracteriza uso indevido de álcool.
  3. C) o tratamento deve incluir a abstinência completa do álcool e a participação em um grupo de ajuda mútua.
  4. D) medicamentos para dependência de álcool geralmente não são úteis.

Pérola Clínica

Uso problemático de álcool com impacto social/legal → tratamento com abstinência e suporte mútuo.

Resumo-Chave

O paciente apresenta critérios para Transtorno do Uso de Álcool (AUD), incluindo uso em quantidades maiores/mais tempo que o pretendido, desejo persistente de reduzir, problemas sociais/interpessoais e problemas legais recorrentes. A ausência de sintomas de abstinência não exclui o diagnóstico de AUD. O tratamento eficaz geralmente envolve abstinência completa e suporte psicossocial.

Contexto Educacional

O Transtorno do Uso de Álcool (AUD) é uma condição crônica e recidivante caracterizada por um padrão problemático de consumo de álcool que leva a prejuízo ou sofrimento clinicamente significativo. É um problema de saúde pública global, com alta prevalência e impacto substancial na morbidade e mortalidade. A identificação precoce e a intervenção são cruciais para melhorar os desfechos. O diagnóstico de AUD é baseado nos critérios do DSM-5, que abrangem controle prejudicado, prejuízo social, uso de risco e critérios farmacológicos (tolerância e abstinência). O paciente da questão preenche múltiplos critérios, como uso em quantidades maiores que o pretendido, desejo persistente de reduzir, problemas sociais/interpessoais e problemas legais (DUI). A ausência de sintomas de abstinência graves não exclui o diagnóstico, pois o AUD é um espectro. O tratamento do AUD é multifacetado e frequentemente envolve abstinência completa, terapia cognitivo-comportamental, aconselhamento e participação em grupos de ajuda mútua, como Alcoólicos Anônimos. Medicamentos como naltrexona e acamprosato podem ser adjuvantes úteis para reduzir o craving e prevenir recaídas. A abordagem deve ser individualizada, considerando a gravidade do transtorno e as comorbidades.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para o Transtorno do Uso de Álcool (AUD)?

O DSM-5 define 11 critérios, incluindo uso em quantidades maiores, desejo persistente de reduzir, tempo gasto com álcool, fissura, falha em cumprir obrigações, problemas sociais/interpessoais, atividades importantes abandonadas, uso em situações perigosas, problemas físicos/psicológicos persistentes, tolerância e abstinência.

Qual a importância da abstinência e dos grupos de ajuda mútua no tratamento do AUD?

A abstinência completa é frequentemente o objetivo principal para evitar recaídas e danos à saúde. Grupos de ajuda mútua, como Alcoólicos Anônimos, oferecem suporte social, estratégias de enfrentamento e um ambiente de não julgamento, cruciais para a recuperação a longo prazo.

Quando considerar o uso de medicamentos para o tratamento do Transtorno do Uso de Álcool?

Medicamentos como naltrexona, acamprosato e dissulfiram podem ser úteis para reduzir o desejo (craving) ou induzir aversão ao álcool, especialmente em pacientes que não conseguem manter a abstinência apenas com intervenções psicossociais.

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