PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
Mulher de 42 anos comparece ao consultório com histórico de dezesseis anos de dor abdominal intensa e intermitente no quadrante inferior esquerdo. Ela nega perda de peso, febre ou calafrios. A causa de seus sintomas não foi detectada em exames anteriores, que incluíram hemograma completo, avaliações de eletrólitos, urinálise, tomografia computadorizada de abdome e pelve, ressonância magnética de abdome e pelve, colonoscopia e exame ginecológico. Ela foi previamente avaliada minuciosamente para quadro de tonturas, dores de cabeça, dores ósseas, síndromes respiratórias, dor nas costas e dor durante a relação sexual. Os resultados de todos esses exames foram negativos. Qual é o diagnóstico MAIS PROVÁVEL?
Múltiplas queixas físicas crônicas + exames exaustivos negativos → Transtorno de Somatização.
O transtorno de somatização caracteriza-se por uma história de múltiplos sintomas físicos, iniciados antes dos 30 anos, que persistem por anos e não são explicados por condições médicas gerais.
O caso descreve uma paciente com uma longa história (16 anos) de dor abdominal e uma constelação de outros sintomas (tontura, cefaleia, dor óssea, dispareunia) que envolveram múltiplos sistemas orgânicos. A negatividade de uma propedêutica extensiva (TC, RM, Colonoscopia) é um marcador clássico de transtornos somatoformes. Esses pacientes frequentemente percorrem diversos especialistas e submetem-se a procedimentos desnecessários. O reconhecimento precoce pelo clínico geral ou psiquiatra é fundamental para reduzir a iatrogenia e os custos hospitalares, além de direcionar o paciente para terapias adequadas, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e, em alguns casos, o uso de antidepressivos para controle de sintomas associados.
No transtorno de somatização (ou transtorno de sintomas somáticos no DSM-5), o foco está na presença de sintomas físicos angustiantes (dor, náusea, tontura). Na hipocondria (transtorno de ansiedade de doença), o foco é a preocupação ou medo de ter uma doença grave, muitas vezes com poucos ou nenhum sintoma físico presente.
A abordagem deve ser empática, validando o sofrimento do paciente sem necessariamente validar a origem orgânica dos sintomas. Recomenda-se estabelecer consultas regulares com um único médico para evitar a fragmentação do cuidado e a realização excessiva de exames, focando na melhora da funcionalidade e não apenas na cura dos sintomas.
Historicamente, exigia-se uma combinação de sintomas dolorosos, gastrointestinais, sexuais e pseudoneurológicos. No DSM-5, o diagnóstico de Transtorno de Sintomas Somáticos enfatiza pensamentos, sentimentos ou comportamentos excessivos relacionados aos sintomas físicos, independentemente de haver ou não uma causa médica explicável.
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