Transtorno de Somatização: Diagnóstico e Manejo Clínico

PSU-GO - Processo Seletivo Unificado de Goiás — Prova 2024

Enunciado

Paciente, 33 anos de idade, sexo feminino, frequenta o ambulatório de clínica médica do Hospital X há 3 anos. No seu prontuário consta história médica de vários sintomas gastrointestinais, problemas pélvicos crônicos, dor de origem obscura crônica bilateral nas extremidades dos membros superiores e inferiores, queixas de parestesias difusas e crises de tontura. Os achados do exame físico e os resultados de extensos exames laboratoriais não foram reveladores nem concludentes. De acordo com o caso relatado, a paciente tem, provavelmente, como diagnóstico psiquiátrico

Alternativas

  1. A) distúrbio de conversão.
  2. B) transtorno factício.
  3. C) transtorno de somatização.
  4. D) hipocondria.

Pérola Clínica

Múltiplos sintomas físicos recorrentes sem causa orgânica clara, causando sofrimento = Transtorno de Somatização.

Resumo-Chave

O transtorno de somatização (agora transtorno de sintomas somáticos no DSM-5) é caracterizado por um ou mais sintomas físicos que causam sofrimento ou prejuízo funcional significativo, acompanhados de pensamentos, sentimentos ou comportamentos excessivos relacionados a esses sintomas. O diagnóstico exige a exclusão de outras condições médicas.

Contexto Educacional

O transtorno de somatização, agora categorizado como transtorno de sintomas somáticos no DSM-5, é uma condição psiquiátrica complexa caracterizada pela presença de múltiplos sintomas físicos clinicamente significativos que não podem ser totalmente explicados por uma condição médica geral, uso de substâncias ou outro transtorno mental. A prevalência é variável, mas pode afetar uma parcela significativa da população, sendo mais comum em mulheres. A importância clínica reside no sofrimento do paciente, no alto custo de investigações médicas desnecessárias e na dificuldade diagnóstica, que exige uma abordagem cuidadosa e empática. A fisiopatologia é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, biológicos, psicológicos e sociais. O diagnóstico é de exclusão, exigindo uma investigação médica completa para descartar causas orgânicas, mas evitando a medicalização excessiva. Deve-se suspeitar quando há uma história de múltiplos sintomas em diferentes sistemas orgânicos, sem achados objetivos consistentes, e com grande impacto na vida do paciente, levando a sofrimento ou prejuízo funcional. O tratamento é desafiador e foca na melhora da qualidade de vida e redução do sofrimento. A psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC), é a abordagem de primeira linha. O manejo farmacológico pode ser considerado para comorbidades psiquiátricas, como depressão ou ansiedade. É crucial estabelecer uma relação terapêutica de apoio e validar o sofrimento do paciente, ao mesmo tempo em que se evita a perpetuação de investigações invasivas e desnecessárias.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios diagnósticos para transtorno de sintomas somáticos (antigo somatização)?

O DSM-5 define o transtorno de sintomas somáticos pela presença de um ou mais sintomas somáticos que causam sofrimento ou prejuízo significativo, além de pensamentos, sentimentos ou comportamentos excessivos relacionados aos sintomas, como preocupação desproporcional ou tempo e energia excessivos dedicados a eles.

Como diferenciar transtorno de somatização de transtorno factício?

No transtorno de somatização, os sintomas são involuntários e o paciente busca alívio genuíno. No transtorno factício, há produção intencional de sintomas ou simulação para assumir o papel de doente, sem ganho externo óbvio.

Qual a abordagem terapêutica inicial para o transtorno de somatização?

A abordagem terapêutica envolve uma relação médico-paciente de confiança, validação do sofrimento e foco em psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental (TCC). O objetivo é melhorar a qualidade de vida e o funcionamento, evitando investigações médicas desnecessárias.

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