SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2022
Elizabete, 50 anos, Índice de Massa Corporal (IMC) 25, auxiliar de limpeza, nega comorbidades ou uso de medicamentos contínuos, veio à consulta pela 20ª vez em 12 meses. Ao mesmo tempo, recorreu várias vezes a especialistas do serviço privado. Já fez todos os exames possíveis, mas continua a vir ao seu médico de família e comunidade. Não apresenta alterações ao exame físico. Queixa de "sensação de que está tudo trancado ao puxar o ar". Nega problemas pessoais ou possibilidade de sofrer de ansiedade. Procura desesperadamente doenças físicas que expliquem o seu sintoma. Sobre esse caso é correto afirmar:
Paciente somatizador → tranquilização excessiva pode gerar efeitos paradoxais e reforçar busca por doença orgânica.
Em pacientes com transtorno de sintomas somáticos, a tentativa de tranquilizar excessivamente ou a realização de múltiplos exames sem achados pode paradoxalmente reforçar a crença do paciente em uma doença física grave e aumentar a busca por novas investigações e consultas. A abordagem deve ser mais complexa e focada na relação médico-paciente.
O caso de Elizabete ilustra um quadro clássico de transtorno de sintomas somáticos, anteriormente conhecido como somatização. Caracteriza-se pela presença de sintomas físicos que causam sofrimento significativo, acompanhados de pensamentos, sentimentos e comportamentos excessivos relacionados a esses sintomas, sem uma explicação médica clara ou proporcional. Esses pacientes frequentemente buscam múltiplas consultas e exames, gerando frustração tanto para eles quanto para os profissionais de saúde. A fisiopatologia não é totalmente compreendida, mas envolve uma interação complexa entre fatores biológicos, psicológicos e sociais. A 'sensação de que está tudo trancado ao puxar o ar' pode ser uma manifestação de ansiedade ou outras questões emocionais, que o paciente nega ou não consegue reconhecer como tal, focando-se na busca por uma causa orgânica. A recorrência de consultas e a busca por múltiplos especialistas são comportamentos típicos. A abordagem terapêutica para esses pacientes é desafiadora. A simples realização de exames adicionais ou a tentativa de tranquilizar o paciente, afirmando que 'não há nada', pode ter um efeito paradoxal. O paciente pode interpretar isso como uma falha do médico em encontrar a doença, reforçando sua crença de que algo grave está sendo negligenciado e impulsionando-o a buscar ainda mais investigações. O manejo eficaz envolve a construção de uma relação de confiança, validação do sofrimento, estabelecimento de limites para exames, foco na funcionalidade e, muitas vezes, o envolvimento de uma equipe multiprofissional e suporte psicoterapêutico.
Pacientes apresentam um ou mais sintomas físicos que causam sofrimento significativo, pensamentos, sentimentos ou comportamentos excessivos relacionados aos sintomas, e uma preocupação desproporcional com a saúde, mesmo após investigação médica negativa.
A tranquilização pode ser interpretada pelo paciente como uma minimização de seu sofrimento ou uma falha do médico em encontrar a 'verdadeira' doença, levando a uma busca ainda mais intensa por outros profissionais e exames.
A abordagem deve focar na construção de uma relação terapêutica sólida, validação do sofrimento do paciente, estabelecimento de um plano de acompanhamento regular, limitação de exames desnecessários e, se apropriado, encaminhamento para suporte psicológico ou psiquiátrico.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo