UniEVANGÉLICA - Universidade Evangélica de Goiás — Prova 2020
Maria, de 57 anos, procura consulta médica na UBS carregando uma sacola repleta de exames, alegando que médico nenhum consegue resolver o problema dela. Refere que já passou por vários especialistas, fez uso de várias medicações, mas permanece com dores no corpo todo. Começa descrevendo ""o queimor"" nas pernas, depois as fincadas nos quadris e segue explicando a dor que mais a preocupa, a dor no peito, que irradia para as costas, o pescoço e a cabeça. Associadas a isso ela descreve ainda fadiga, dispneia e palpitações. Não se conforma que os resultados dos exames estejam normais e deseja fazer ""exames mais específicos"". Tira da sacola o frasco da medicação manipulada que lhe foi prescrita por último, uma associação de meloxicam, ciclobenzaprina, amitriptilina, prednisona e ranitidina. A conduta mais desejável ao paciente com quadro de somatização crônica é:
Somatização crônica → Prevenção quaternária para evitar iatrogenia e intervenções desnecessárias.
Pacientes com somatização crônica frequentemente buscam múltiplas consultas e exames, resultando em polifarmácia e procedimentos desnecessários. A prevenção quaternária é crucial para protegê-los de danos iatrogênicos, focando na gestão dos sintomas e na melhoria da qualidade de vida, sem buscar uma "cura" orgânica inexistente.
O transtorno de sintomas somáticos, anteriormente conhecido como somatização crônica, é caracterizado pela presença de um ou mais sintomas físicos que causam sofrimento significativo ou prejuízo na funcionalidade, acompanhados de pensamentos, sentimentos ou comportamentos excessivos relacionados aos sintomas ou preocupações com a saúde. A prevalência é variável, mas é uma condição comum na atenção primária, gerando alto consumo de recursos de saúde. A fisiopatologia é complexa e multifatorial, envolvendo fatores genéticos, psicológicos (como amplificação de sintomas e catastrofização) e sociais. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e exige uma abordagem cuidadosa para validar o sofrimento do paciente sem reforçar a busca por uma causa orgânica inexistente. A relação médico-paciente é central, focando na funcionalidade e na gestão dos sintomas, e não na cura de uma doença física. A conduta mais desejável é a aplicação dos princípios da prevenção quaternária, que visa proteger os pacientes de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas. Isso inclui evitar a solicitação de exames repetidos, a prescrição de múltiplas medicações sem indicação clara e a realização de procedimentos invasivos. O objetivo é reduzir a iatrogenia, melhorar a qualidade de vida do paciente e ajudá-lo a conviver com os sintomas de forma mais equilibrada, muitas vezes com o apoio de terapia cognitivo-comportamental.
Os pilares incluem o estabelecimento de uma relação médico-paciente de confiança, validação do sofrimento, foco na funcionalidade e qualidade de vida, e a prevenção de intervenções desnecessárias.
Prevenção quaternária é o conjunto de ações para evitar ou atenuar as consequências de intervenções médicas desnecessárias ou excessivas. Na somatização, significa evitar exames e tratamentos que não trarão benefício e podem causar danos.
Pacientes somatizadores frequentemente recebem múltiplas prescrições de diferentes especialistas, levando à polifarmácia, que aumenta o risco de interações medicamentosas, efeitos adversos e perpetua a crença na doença orgânica.
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