UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Um homem de 40 anos de idade é preso e mandado para observação após repetidamente invadir o escritório local de uma repartição pública, com acusação de que ali seria uma base da Agência Central de Inteligência (CIA), que estaria espionando-o com a intenção de assassiná-lo, porque ele tem parentes que vivem na Rússia. O exame de seu estado mental é normal, exceto pelo pensamento delirante referente à repartição. Quando sua esposa o visita, observa-se que ela tem uma espécie de relação passiva com o marido e defende explicitamente as mesmas convicções que o levaram à prisão, embora, sob outros aspectos, apresente um estado mental normal. O diagnóstico mais provável para esta mulher é
Folie à deux = delírio compartilhado entre duas ou mais pessoas em relação íntima, induzido por um indivíduo dominante.
O transtorno psicótico compartilhado (folie à deux) ocorre quando uma pessoa (induzida) desenvolve um delírio semelhante ao de outra pessoa (indutora) com quem tem uma relação próxima, geralmente com o indutor sendo o membro dominante da relação. A esposa, neste caso, adota o delírio do marido, mas mantém um estado mental normal em outros aspectos.
O transtorno psicótico compartilhado, historicamente conhecido como 'folie à deux', é uma condição rara em que um delírio é transmitido de um indivíduo psicótico (o indutor) para outro indivíduo (o induzido) que está em um relacionamento próximo e geralmente isolado socialmente. O indutor é tipicamente o membro mais dominante ou mais doente da díade, e o delírio é geralmente crônico e bem sistematizado. O diagnóstico baseia-se na observação de que o indivíduo induzido adota o delírio do indutor, mas, fora desse delírio, seu funcionamento mental é relativamente preservado. A prevalência é baixa, e os casos mais comuns envolvem membros da família, como irmãos, cônjuges ou pais e filhos. A separação física dos indivíduos é frequentemente a primeira linha de tratamento para o indivíduo induzido, o que pode levar à remissão do delírio. O manejo envolve a avaliação e tratamento do indivíduo indutor, que geralmente apresenta um transtorno psicótico primário (como esquizofrenia ou transtorno delirante). Para o indivíduo induzido, além da separação, a terapia de suporte e, em alguns casos, a medicação antipsicótica de baixa dose podem ser úteis, especialmente se o delírio persistir após a separação.
O critério principal é a presença de um delírio em um indivíduo que se desenvolve no contexto de um relacionamento íntimo com outra pessoa que já tem um delírio estabelecido, e o delírio é semelhante em conteúdo.
A separação do indivíduo induzido do indivíduo indutor frequentemente leva à remissão do delírio no indivíduo induzido, o que é um ponto chave para o diagnóstico e manejo.
No transtorno delirante, o delírio é primário e não é induzido por outra pessoa. No transtorno psicótico compartilhado, o delírio é adquirido de um indivíduo com psicose primária.
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