Santa Casa de Campo Grande (MS) — Prova 2026
Adolescente de 16 anos é levado pela mãe ao posto de saúde por uso abusivo de álcool nos finais de semana. Relata baixo desempenho escolar e episódios de agressividade. Qual é a intervenção mais adequada?
Adolescente + abuso de álcool → Abordagem motivacional + Redução de danos + Equipe multi.
O manejo do uso abusivo de substâncias na adolescência deve priorizar a redução de danos e a motivação para mudança, utilizando uma rede de apoio multiprofissional em vez de medidas punitivas ou isolamento.
O uso de álcool na adolescência é um problema de saúde pública complexo, frequentemente associado a prejuízos no desenvolvimento neurocognitivo, evasão escolar e comportamentos de risco. A abordagem deve ser centrada no sujeito, utilizando ferramentas como o CRAFFT (triagem para uso de substâncias em adolescentes) para avaliar a gravidade. A intervenção breve e a entrevista motivacional são as ferramentas com maior evidência de eficácia para este grupo etário. Fisiopatologicamente, o cérebro adolescente, ainda em fase de maturação do córtex pré-frontal, é mais vulnerável aos efeitos neurotóxicos do etanol e ao desenvolvimento de dependência. Por isso, a intervenção precoce e multiprofissional (médico, psicólogo, assistente social) é crucial para modificar a trajetória de uso e prevenir danos crônicos.
A primeira linha envolve a abordagem multiprofissional e a entrevista motivacional. O objetivo é engajar o adolescente no tratamento, avaliando seu estágio de prontidão para mudança (modelo de Prochaska e DiClemente). A estratégia de redução de danos é fundamental, pois foca na diminuição das consequências negativas do uso, como acidentes e queda no desempenho escolar, sem necessariamente exigir a abstinência imediata como única meta, o que aumenta a adesão do jovem ao serviço de saúde.
A internação é uma medida de exceção, reservada para casos de risco iminente de vida (auto ou heteroagressividade grave), falha comprovada de todas as tentativas de tratamento ambulatorial intensivo (como nos CAPS ad) ou necessidade de desintoxicação em ambiente controlado por complicações clínicas. No caso apresentado, o paciente possui vínculo com a família e frequenta a escola, o que favorece o manejo territorial e ambulatorial inicial.
A redução de danos busca minimizar os riscos associados ao consumo de álcool sem obrigatoriamente interromper o uso de imediato. Isso inclui orientações sobre não dirigir sob efeito, evitar misturar substâncias, manter a hidratação e garantir que o adolescente mantenha vínculos sociais e escolares. É uma abordagem pragmática e ética que respeita a autonomia do sujeito e fortalece o vínculo terapêutico, sendo especialmente eficaz na população jovem que apresenta resistência a modelos proibicionistas.
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