Critérios DSM-5 para Transtorno por Uso de Álcool

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Um homem de 38 anos, advogado, comparece à consulta acompanhado pela esposa. Ela relata que o marido tem consumido cerca de uma garrafa de vinho todas as noites nos últimos 12 meses. O paciente minimiza a situação, afirmando que seu desempenho profissional permanece excelente e que nunca apresentou tremores, sudorese ou taquicardia ao acordar ou em períodos de abstinência. No entanto, admite que, por diversas vezes, tentou reduzir o consumo para apenas nos finais de semana, mas não obteve sucesso, e que frequentemente sente uma necessidade interna muito forte e difícil de controlar de beber ao chegar em casa após o trabalho. Com base nos critérios diagnósticos do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM-5) para o Transtorno por Uso de Álcool, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) A ocorrência de problemas legais recorrentes relacionados ao uso do álcool é um critério diagnóstico mantido na transição do DSM-IV para o DSM-5.
  2. B) O desejo intenso ou a premência em consumir a substância (craving) é um critério diagnóstico que foi incorporado ao DSM-5.
  3. C) O consumo de risco, definido por volume semanal superior a 14 doses para homens, é um critério clínico suficiente para o diagnóstico de transtorno leve.
  4. D) O diagnóstico de transtorno por uso de álcool exige obrigatoriamente a presença de evidências fisiológicas, como tolerância ou síndrome de abstinência.

Pérola Clínica

DSM-5: Unificou abuso/dependência, excluiu 'problemas legais' e incluiu 'craving' (fissura) como critério.

Resumo-Chave

O diagnóstico de Transtorno por Uso de Álcool no DSM-5 requer 2 de 11 critérios; a fissura (craving) é um critério central, enquanto problemas legais foram removidos.

Contexto Educacional

O Transtorno por Uso de Álcool (TUA) é uma condição crônica e recorrente caracterizada por uma capacidade prejudicada de interromper ou controlar o uso de álcool, apesar das consequências sociais, ocupacionais ou de saúde adversas. A transição para o DSM-5 refletiu uma compreensão mais profunda da neuroplasticidade envolvida na dependência, onde o 'craving' representa a ativação de circuitos de recompensa e motivação mesmo na ausência de sintomas físicos de abstinência. Na prática clínica, o reconhecimento precoce é fundamental, pois muitos pacientes, como o advogado do caso, mantêm alta funcionalidade (o chamado 'dependente de alto funcionamento') mas já apresentam critérios como tentativas frustradas de redução e fissura intensa. O tratamento deve ser individualizado, combinando intervenções psicossociais (como Terapia Cognitivo-Comportamental) e farmacoterapia (como naltrexona ou acamprosato) quando indicado.

Perguntas Frequentes

Quais foram as principais mudanças do DSM-IV para o DSM-5 no uso de álcool?

A principal mudança foi a eliminação da distinção entre 'abuso' e 'dependência', unificando-os no 'Transtorno por Uso de Álcool'. Além disso, o critério de 'problemas legais recorrentes' foi removido devido à baixa utilidade clínica e variabilidade cultural, e o critério de 'craving' (desejo intenso ou premência em consumir) foi adicionado, refletindo melhor a neurobiologia da adicção.

Como é classificada a gravidade do transtorno no DSM-5?

A gravidade é determinada pelo número de critérios preenchidos: Leve (2 a 3 critérios), Moderado (4 a 5 critérios) e Grave (6 ou mais critérios). Isso permite uma abordagem dimensional, reconhecendo que o impacto do uso de substâncias ocorre em um espectro, em vez de uma categoria binária de tudo ou nada.

O consumo de risco por volume é critério diagnóstico?

Não. Embora o consumo acima de 14 doses semanais para homens (ou 7 para mulheres) seja considerado 'consumo de risco' pela OMS e NIAAA, o diagnóstico de Transtorno por Uso de Álcool no DSM-5 é puramente clínico, baseado em comportamentos, prejuízos funcionais e sintomas fisiológicos, e não apenas no volume absoluto ingerido.

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