Transtorno de Personalidade Esquizóide: Diagnóstico e Características

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2022

Enunciado

L.J.F., 20 anos, é trazida para avaliação ambulatorial pelos pais. Relatam que a filha é, desde sua infância, uma pessoa de poucos amigos e interesses. Tais comportamentos se intensificaram na adolescência e, atualmente, L. passa a maior parte do tempo em seu quarto, lendo ou usando o computador. Não manteve contato com os amigos de infância e não tem interesse em fazer novos amigos. Nunca teve um relacionamento íntimo e parece não ter interesse sexual. Os pais de L. estão bastante preocupados já há muito tempo, mas não buscaram auxílio profissional porque a filha constantemente recusava ida ao psiquiatra. Ao contato, L. não se mostra incomodada com a situação, demonstrando frieza emocional e distanciamento afetivo. Qual a principal hipótese diagnóstica para o caso?

Alternativas

  1. A) Transtorno de personalidade de esquiva.
  2. B) Transtorno de personalidade antissocial.
  3. C) Transtorno de personalidade borderline.
  4. D) Transtorno de personalidade esquizóide.

Pérola Clínica

Frieza emocional, distanciamento afetivo e ausência de interesse social/sexual são marcadores chave do Transtorno de Personalidade Esquizóide.

Resumo-Chave

O quadro clínico de L.J.F. com isolamento social desde a infância, falta de interesse em relacionamentos íntimos e sexuais, e uma notável frieza emocional e distanciamento afetivo, sem incômodo com a situação, é altamente sugestivo de Transtorno de Personalidade Esquizóide. Diferencia-se do esquiva pela ausência de desejo de contato social e da borderline pela ausência de instabilidade afetiva e impulsividade.

Contexto Educacional

O Transtorno de Personalidade Esquizóide é caracterizado por um padrão generalizado de distanciamento das relações sociais e uma gama restrita de expressão de emoções em contextos interpessoais. Indivíduos com este transtorno frequentemente demonstram frieza emocional, indiferença a elogios ou críticas, e uma notável falta de interesse em atividades sociais ou sexuais. A prevalência é estimada em cerca de 3,1% da população geral, sendo mais comum em homens, e o início dos sintomas geralmente ocorre na infância ou adolescência, persistindo na vida adulta. O diagnóstico diferencial é crucial para distinguir o Transtorno de Personalidade Esquizóide de outras condições. Diferencia-se do Transtorno de Personalidade de Esquiva pela ausência de desejo de contato social (no esquiva, o desejo existe, mas é inibido pelo medo da rejeição). Também deve ser diferenciado do Transtorno de Personalidade Borderline, que apresenta instabilidade afetiva e impulsividade, e do Transtorno de Personalidade Antissocial, que envolve desrespeito e violação dos direitos alheios. A avaliação deve focar na história de vida do paciente, padrões de relacionamento e expressão emocional. O tratamento para o Transtorno de Personalidade Esquizóide é complexo, pois os pacientes raramente buscam ajuda por não se sentirem incomodados com seu estilo de vida. A psicoterapia, especialmente a terapia cognitivo-comportamental, pode ajudar a desenvolver habilidades sociais e a lidar com a solidão, embora a motivação para a mudança seja um desafio. Não há medicação específica, mas fármacos podem ser usados para tratar sintomas comórbidos, como ansiedade ou depressão. O prognóstico é geralmente crônico, com poucos pacientes apresentando remissão completa.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais critérios diagnósticos para o Transtorno de Personalidade Esquizóide?

Os critérios incluem distanciamento de relações sociais, restrição da expressão emocional, falta de desejo por intimidade, indiferença a elogios ou críticas, e ausência de interesse sexual, manifestados desde o início da idade adulta.

Como diferenciar o Transtorno de Personalidade Esquizóide do Transtorno de Personalidade de Esquiva?

A principal diferença é que indivíduos com transtorno esquizóide não desejam relacionamentos sociais, enquanto aqueles com transtorno de esquiva desejam, mas evitam por medo de rejeição ou crítica.

Qual o prognóstico e tratamento para o Transtorno de Personalidade Esquizóide?

O prognóstico é variável, mas geralmente crônico. O tratamento é desafiador devido à falta de insight e motivação para mudança, focando em terapia individual para desenvolver habilidades sociais e lidar com a solidão, e, ocasionalmente, medicação para sintomas associados.

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