Transtorno de Personalidade Borderline: Sinais e Diagnóstico

UFCSPA - Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre (RS) — Prova 2023

Enunciado

Paciente do sexo feminino, de 21 anos, é trazida pela sua mãe à consulta em uma Unidade Básica de Saúde (UBS). A mãe da paciente se diz extremamente preocupada com a filha; conta que esta teve relacionamentos extremamente conturbados com três namorados, e nos três relacionamentos apresentou intenso medo de ser abandonada e que estas relações haviam sido intensas e instáveis, com muitas brigas e agressões. Relata, ainda, que, quando a filha termina os namoros, costuma se automutilar com objetos cortantes em seus pulsos. A menina chora durante a consulta e diz sentir um vazio crônico e, ao mesmo tempo, uma raiva intensa. Culpa os namorados e a mãe de não a compreenderem. Diante desse quadro, a hipótese diagnóstica CORRETA é:

Alternativas

  1. A) Transtorno depressivo maior.
  2. B) Transtorno de personalidade narcisista.
  3. C) Transtorno de personalidade borderline.
  4. D) Transtorno de personalidade histriônica.

Pérola Clínica

TPL = medo abandono + relações instáveis + automutilação + vazio crônico + raiva intensa.

Resumo-Chave

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPL) é caracterizado por um padrão generalizado de instabilidade nas relações interpessoais, autoimagem, afetos e impulsividade acentuada. Sintomas como medo intenso de abandono, automutilação, sentimentos crônicos de vazio e raiva desproporcional são marcadores chave.

Contexto Educacional

O Transtorno de Personalidade Borderline (TPL) é um transtorno mental complexo e grave, caracterizado por um padrão generalizado de instabilidade nas relações interpessoais, autoimagem, afetos e impulsividade acentuada. Sua prevalência é estimada em cerca de 1-2% da população geral, sendo mais frequentemente diagnosticado em mulheres. É uma condição que gera grande sofrimento para o indivíduo e para aqueles ao seu redor, com alto risco de automutilação e suicídio, tornando seu reconhecimento e manejo cruciais na prática clínica. A fisiopatologia do TPL é multifatorial, envolvendo fatores genéticos, neurobiológicos (disfunção em circuitos cerebrais relacionados à regulação emocional e impulsividade) e ambientais (traumas na infância, negligência). O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, que incluem medo intenso de abandono, relacionamentos instáveis e intensos, perturbação da identidade, impulsividade, comportamentos suicidas ou automutilatórios, instabilidade afetiva, sentimentos crônicos de vazio, raiva intensa e inadequada, e sintomas dissociativos ou paranoides relacionados ao estresse. A presença de pelo menos cinco desses critérios é necessária para o diagnóstico. O tratamento do TPL é desafiador e requer uma abordagem multidisciplinar. A Terapia Dialética Comportamental (DBT) é a psicoterapia de escolha, focando na regulação emocional e no desenvolvimento de habilidades. A farmacoterapia pode ser utilizada para tratar sintomas específicos, como depressão, ansiedade ou impulsividade, mas não é curativa. O prognóstico, embora desafiador, pode ser favorável com tratamento adequado e adesão, levando a uma melhora significativa na qualidade de vida e redução dos comportamentos de risco.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas do Transtorno de Personalidade Borderline (TPL)?

Os principais sintomas do TPL incluem esforços frenéticos para evitar abandono real ou imaginado, um padrão de relacionamentos interpessoais instáveis e intensos, perturbação da identidade, impulsividade em pelo menos duas áreas (ex: gastos, sexo, abuso de substâncias, direção imprudente, comer compulsivamente), comportamento suicida recorrente ou automutilação, instabilidade afetiva, sentimentos crônicos de vazio, raiva intensa e inadequada, e ideação paranoide transitória ou sintomas dissociativos graves relacionados ao estresse.

Como diferenciar o TPL de outros transtornos de personalidade?

A diferenciação do TPL de outros transtornos de personalidade reside na combinação específica de instabilidade afetiva, impulsividade, relacionamentos caóticos e medo de abandono, juntamente com a presença de automutilação e sentimentos crônicos de vazio. Enquanto o transtorno histriônico pode ter busca por atenção, o TPL apresenta uma intensidade e gravidade maior nas crises e na autoagressão. O transtorno narcisista foca na grandiosidade, não no medo de abandono e autoimagem instável do TPL.

Qual a abordagem terapêutica mais indicada para o Transtorno de Personalidade Borderline?

A Terapia Dialética Comportamental (DBT) é a abordagem terapêutica mais indicada e com maior evidência para o TPL. Ela foca no desenvolvimento de habilidades de regulação emocional, tolerância ao sofrimento, efetividade interpessoal e atenção plena. Além da psicoterapia, o tratamento pode incluir farmacoterapia para sintomas específicos, como estabilizadores de humor, antidepressivos ou antipsicóticos em baixas doses, sempre com acompanhamento psiquiátrico.

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