Manejo da Crise de Pânico em Ambiente Hospitalar

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2017

Enunciado

Durante plantão em enfermaria de um hospital, o médico plantonista é chamado pela equipe de enfermagem porque um homem, com 38 anos de idade, que aguarda para realização de uma herniorrafia eletiva, apresenta uma crise. Chegando ao quarto, o médico se depara com o paciente referindo dor torácica, taquicardia, dispneia, tontura e sudorese de início súbito. Imediatamente, o médico avalia o paciente que refere medo de estar tendo um ataque cardíaco e de “estar ficando louco”. Não possui antecedentes de doença dignos de nota. Ao exame físico, apresenta frequência cardíaca = 110 bpm e frequência respiratória = 32 irpm, sem evidenciar outras alterações. Avaliações cardiológica, metabólica e pulmonar de emergência também apresentam resultados normais. O paciente não tem histórico de doenças cardíacas nem apresenta fatores de risco cardiovascular. O médico chega à hipótese diagnóstica de crise de pânico. Considerando esse quadro clínico e a correspondente hipótese diagnóstica, o médico plantonista deve:

Alternativas

  1. A) Prescrever imediatamente prometazina 25 mg via intramuscular, repetir a aplicação com essa dosagem, se necessário, e cancelar a cirurgia por necessidade de encaminhamento do paciente para a psiquiatria de emergência.
  2. B) Tranquilizar o paciente, orientá-lo para que respire devagar e profundamente e considerar o uso de benzodiazepínicos em caso de crise muito prolongada ou grave.
  3. C) Iniciar tratamento com inibidor seletivo da recaptação de serotonina e agendar visita do psicólogo do hospital para uma avaliação do paciente em 2 dias, período em que este deve ficar internado.
  4. D) Prescrever imediatamente haloperidol 5 mg via intramuscular, conter fisicamente o paciente e manter a data da cirurgia, pois a medicação anestésica pode reverter o quadro e aliviar os sintomas.

Pérola Clínica

Crise de pânico → Excluir causas orgânicas + Reasseguramento + Controle respiratório.

Resumo-Chave

O manejo inicial da crise de pânico foca na estabilização psicocomportamental; intervenções farmacológicas são adjuvantes e não substitutas do suporte clínico.

Contexto Educacional

A crise de pânico é uma manifestação abrupta de medo intenso acompanhada de sintomas autonômicos. No contexto hospitalar, frequentemente mimetiza infarto agudo do miocárdio ou embolia pulmonar. A fisiopatologia envolve uma hiperatividade do sistema de alarme do tronco cerebral e da amígdala. O manejo adequado evita internações desnecessárias e iatrogenias. A abordagem 'calma e diretiva' do médico é terapêutica. É fundamental não invalidar o sofrimento do paciente, confirmando que a dor e a falta de ar são reais, mas decorrentes de uma resposta de ansiedade exacerbada, e não de um dano estrutural cardíaco ou pulmonar.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar crise de pânico de emergência cardiovascular?

O diagnóstico diferencial é clínico e laboratorial. No pânico, os sintomas atingem o pico em 10 minutos e incluem medo de morrer ou enlouquecer, sudorese e parestesias. Contudo, em ambiente hospitalar, é obrigatório realizar ECG e, se indicado, marcadores de necrose miocárdica (troponina), especialmente em pacientes com fatores de risco. Uma vez que os exames físicos e complementares (como FC 110 e FR 32 com exames normais) descartam organicidade, a hipótese de pânico se fortalece.

Qual a primeira linha de tratamento na crise aguda?

A primeira linha é a intervenção psicossocial: tranquilizar o paciente (reasseguramento), explicar que os sintomas são físicos mas não fatais, e realizar manobras de controle respiratório (respiração diafragmática ou técnica do quadrado). Isso ajuda a reduzir a alcalose respiratória causada pela taquipneia, que retroalimenta os sintomas físicos do pânico. O uso de medicamentos é reservado para casos onde o suporte verbal falha ou a crise é muito intensa.

Quando utilizar benzodiazepínicos no pânico?

Os benzodiazepínicos (como diazepam ou lorazepam) devem ser considerados apenas se a crise for prolongada, grave ou se o paciente não responder às medidas de suporte não farmacológico. Eles atuam rapidamente no receptor GABA, proporcionando alívio sintomático. No entanto, não devem ser a única estratégia, pois o objetivo é que o paciente aprenda a manejar a ansiedade. O tratamento de longo prazo deve ser feito com ISRS em ambiente ambulatorial.

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