Transtorno de Pânico: Diagnóstico e Tratamento Inicial

HR Presidente Prudente - Hospital Regional de Presidente Prudente (SP) — Prova 2023

Enunciado

Mulher, 47 anos, apresenta episódios de palpitações, sudorese, dispneia, tremores e medo imotivado, que ocorrem subitamente, em crises. Refere que já foi ao pronto atendimento diversas vezes nos últimos anos, onde realizou exames séricos, eletrocardiograma e marcadores cardíacos, sempre com resultados normais. Assinale a alternativa que contém, correta e respectivamente, o diagnóstico e conduta inicial.

Alternativas

  1. A) Depressão – sertralina 50 mg e reavaliar em 4 a 6 semanas.
  2. B) Depressão – fluoxetina 20 mg e reavaliar em 2 semanas.
  3. C) Transtorno de pânico – venlafaxina XR 37,5 mg e reavaliar em 4 a 6 semanas.
  4. D) Transtorno de pânico – amitriptilina 100 mg e reavaliar em 8 semanas.
  5. E) Síndrome conversiva – encaminhar para psicoterapia.

Pérola Clínica

Ataques de pânico recorrentes com sintomas somáticos e medo imotivado, sem causa orgânica → Transtorno de Pânico. Tratamento inicial: ISRS/IRSN.

Resumo-Chave

O quadro clínico de crises súbitas de palpitações, sudorese, dispneia, tremores e medo intenso, com exames cardiológicos normais, é altamente sugestivo de Transtorno de Pânico. A venlafaxina XR, um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), é uma opção de primeira linha para o tratamento, com dose inicial de 37,5 mg e reavaliação em 4-6 semanas para ajuste.

Contexto Educacional

O Transtorno de Pânico é uma condição psiquiátrica comum, caracterizada por ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos por preocupação persistente com novos ataques ou suas consequências. A prevalência ao longo da vida é de aproximadamente 2-3%. É fundamental que residentes saibam reconhecer seus sintomas, que frequentemente mimetizam emergências médicas, levando a investigações extensas e desnecessárias em pronto-atendimentos. O diagnóstico do Transtorno de Pânico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, após a exclusão de causas orgânicas para os sintomas. A apresentação típica inclui sintomas somáticos intensos como taquicardia, dispneia, sudorese, tremores, tontura, associados a um medo avassalador de morrer, enlouquecer ou perder o controle. A ausência de achados patológicos em exames complementares (como ECG e marcadores cardíacos) é um ponto chave para direcionar a investigação para a esfera psiquiátrica. O tratamento do Transtorno de Pânico envolve abordagens farmacológicas e psicoterapêuticas. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) e os inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), como a venlafaxina, são as opções de primeira linha devido à sua eficácia e perfil de segurança. A terapia cognitivo-comportamental (TCC) é uma psicoterapia altamente eficaz. A dose inicial de venlafaxina XR é de 37,5 mg, com reavaliação em 4 a 6 semanas para ajuste e monitoramento da resposta.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos de um ataque de pânico?

Um ataque de pânico é caracterizado por um início súbito de medo intenso ou desconforto, acompanhado por sintomas físicos como palpitações, sudorese, tremores, dispneia, dor no peito, náuseas, tontura, e sintomas cognitivos como medo de morrer ou perder o controle.

Qual a conduta inicial para o tratamento do Transtorno de Pânico?

A conduta inicial envolve psicoterapia (especialmente TCC) e/ou farmacoterapia. Os medicamentos de primeira linha são os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou inibidores da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN), como a venlafaxina.

Como diferenciar um ataque de pânico de uma emergência cardíaca?

A diferenciação é crucial. Em um ataque de pânico, os exames cardíacos (ECG, marcadores) são normais, e os sintomas geralmente atingem o pico em minutos e se resolvem. Em emergências cardíacas, pode haver alterações nos exames e os sintomas podem ser mais persistentes ou ter características específicas de dor.

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