INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2022
Uma mulher com 30 anos de idade vem a primeira consulta na Unidade Básica de Saúde queixando-se de tonturas, tremores, tensão muscular e relata que há 1 mês apresentou três crises de palpitações repentinas, acompanhadas de dor em hemitórax esquerdo, com duração de até meia hora e resolução espontânea. Nega doenças pregressas, tabagismo, etilismo ou uso de outras drogas. Relata que procurou serviços de emergência três vezes achando que teria um infarto. Traz resultados recentes e normais de hemograma, TSH, perfil lipídico completo, glicemia, troponina e CPK e eletrocardiograma. Acredita que esses exames foram insuficientes e pede outros exames para ver se o coração está bem. Por exercer a prostituição desde a adolescência, faz exames rotineiramente para infecções sexualmente transmissíveis, últimos há 15 dias e com resultados negativos. Usa Dispositivo Intrauterino (DIU) de cobre há 5 anos e preservativo. Não teve filhos ou abortamento. Apresenta sono reparador, exceto quando tem as crises. Nega ideação suicida. Desde o início da pandemia da COVID-19 não faz mais programas. Exame físico inalterado. Nesse caso, a melhor abordagem é
Crises de pânico com exames normais → Explicar desnecessidade de novos exames, indicar suporte psicológico e atividades físicas.
Diante de sintomas físicos intensos e recorrentes, com exames complementares normais e histórico compatível, deve-se considerar transtornos de ansiedade, como o transtorno do pânico. A abordagem inicial envolve tranquilizar o paciente, explicar a natureza dos sintomas e oferecer suporte não farmacológico.
O Transtorno do Pânico é um tipo de transtorno de ansiedade caracterizado por crises de pânico recorrentes e inesperadas, seguidas por preocupação persistente com a ocorrência de novas crises ou com suas consequências. É uma condição comum, com prevalência estimada em 2-3% da população geral, e frequentemente se manifesta com sintomas físicos intensos que levam os pacientes a procurar serviços de emergência por suspeita de doenças cardíacas ou outras condições graves. A fisiopatologia envolve uma desregulação de sistemas neurotransmissores e circuitos cerebrais relacionados ao medo e à ansiedade. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5 ou CID-10, após a exclusão de causas orgânicas para os sintomas. É fundamental realizar uma investigação inicial para descartar condições como hipertireoidismo, arritmias cardíacas, feocromocitoma ou uso de substâncias, como cafeína ou drogas ilícitas, que podem mimetizar os sintomas de pânico. A abordagem terapêutica na atenção primária deve ser gradual e centrada no paciente. É crucial explicar que os sintomas, embora reais e assustadores, não representam risco de vida e são manifestações de ansiedade. O tratamento inicial inclui psicoeducação, indicação de atividades físicas regulares, técnicas de relaxamento e encaminhamento para apoio psicológico (terapia cognitivo-comportamental é a mais eficaz). Em casos mais graves ou refratários, pode-se considerar o uso de farmacoterapia (antidepressivos, como ISRS, e benzodiazepínicos em curto prazo para crises agudas), sempre em um continuum de cuidado e complexidade.
Uma crise de pânico é caracterizada por um início súbito de medo intenso ou desconforto, acompanhado por sintomas físicos como palpitações, dor no peito, tontura, tremores, sudorese, sensação de falta de ar e medo de morrer ou enlouquecer.
A diferenciação é feita pela história clínica, ausência de fatores de risco cardíacos, exames complementares cardíacos normais e a presença de outros sintomas de ansiedade. A dor do pânico geralmente não é desencadeada por esforço e tem duração variável.
A abordagem inicial inclui tranquilizar o paciente, explicar a natureza dos sintomas, descartar causas orgânicas com exames básicos, e indicar tratamento não farmacológico como apoio psicológico, atividades físicas e técnicas de relaxamento, com acompanhamento.
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