Transtorno do Pânico: Diagnóstico e Tratamento de Primeira Linha

UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2022

Enunciado

Paciente de 25 anos buscou atendimento em razão de ataques súbitos de palpitação, sudorese, tremor, sensação de falta de ar, dor torácica, tonturas e medo de morrer. Procurara a Emergência algumas vezes, mas, ao ser avaliada, informavam-lhe não haver qualquer alteração nos exames realizados. Negou uso de substâncias aditivas. Referiu que, desde que passou a apresentar os ataques, tinha receio de sair de casa e ficava constantemente preocupada com a possibilidade de eles tornarem a ocorrer. Acerca desse transtorno, assinale a assertiva correta.

Alternativas

  1. A) Os tratamentos de primeira linha são os inibidores seletivos da recaptação de seratonina, venlafaxina e terapia cognitivo-comportamental.
  2. B) Benzodiazepínico de uso contínuo por longo prazo está indicado.
  3. C) Indivíduos do sexo masculino são mais frequentemente afetados por esse transtorno do que os do feminino, em uma razão em torno de 2:1.
  4. D) Cerca de 70% dos pacientes com esse transtorno não respondem à intervenção de primeira linha.

Pérola Clínica

Ataques de pânico recorrentes + medo de novos ataques/agorafobia → Transtorno do Pânico.

Resumo-Chave

O Transtorno do Pânico é caracterizado por ataques súbitos e inesperados de medo intenso, acompanhados de sintomas físicos e cognitivos. O tratamento de primeira linha combina farmacoterapia (ISRS, venlafaxina) e psicoterapia (TCC), visando reduzir a frequência e intensidade dos ataques e melhorar a qualidade de vida.

Contexto Educacional

O Transtorno do Pânico é uma condição psiquiátrica comum, caracterizada por ataques de pânico recorrentes e inesperados, seguidos por preocupação persistente com novos ataques ou mudanças comportamentais para evitá-los. Afeta cerca de 2-3% da população adulta, sendo mais prevalente em mulheres, e frequentemente coexiste com agorafobia, um medo de situações onde a fuga pode ser difícil ou embaraçosa. O reconhecimento precoce é crucial para evitar a cronificação e o impacto significativo na qualidade de vida. A fisiopatologia envolve disfunções em circuitos cerebrais relacionados ao medo e ansiedade, com desregulação de neurotransmissores como serotonina, noradrenalina e GABA. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e exige a exclusão de causas orgânicas para os sintomas. A suspeita deve surgir em pacientes com sintomas físicos intensos e recorrentes sem explicação médica clara, especialmente quando há medo de morrer ou perder o controle durante os episódios. O tratamento de primeira linha inclui inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou venlafaxina, que atuam modulando a neurotransmissão. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é igualmente eficaz, focando na reestruturação de pensamentos disfuncionais e exposição gradual a situações temidas. A combinação de farmacoterapia e TCC geralmente oferece os melhores resultados, com melhora significativa dos sintomas e prevenção de recaídas.

Perguntas Frequentes

Quais são os sintomas típicos de um ataque de pânico?

Os sintomas incluem palpitações, sudorese, tremores, sensação de falta de ar, dor torácica, tontura, náuseas, desrealização/despersonalização, medo de perder o controle ou de morrer.

Qual a abordagem inicial para o tratamento do Transtorno do Pânico?

A abordagem inicial combina farmacoterapia com inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) ou venlafaxina, e psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC).

Por que os benzodiazepínicos não são a primeira linha para tratamento contínuo do pânico?

Benzodiazepínicos são úteis para alívio agudo, mas não são indicados para uso contínuo a longo prazo devido ao risco de dependência, tolerância e efeitos colaterais, não tratando a causa subjacente do transtorno.

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