Manejo de Transtornos de Ansiedade na Atenção Primária

Santa Casa de São Paulo - ISCMSP/FCMSCSP (SP) — Prova 2026

Enunciado

Homem, 43 anos, vem para atendimento de demanda espontânea no acolhimento da equipe de eSF com queixa de angústia, palpitações frequentes, tremores, tontura e medo de perder o controle no último mês. Isto tem causado prejuízo no trabalho e na vida social. Durante a consulta está tranquilo, nega ideação suicida ou pensamentos de morte. Entre as condutas abaixo, a melhor para este paciente no âmbito da APS é:

Alternativas

  1. A) Encaminhamento para hospital via SAMU, para internação.
  2. B) Encaminhamento para o CAPS para avaliação inicial do quadro.
  3. C) Iniciar seguimento multiprofissional na UBS e considerar introdução de inibidor seletivo da recaptação da serotonina.
  4. D) Encaminhar paciente para psicóloga da equipe para definir se o seguimento será na APS ou no CAPS.
  5. E) Acolher paciente, realizar escuta qualificada e explicar que é comum se sentir assim, sem necessidade de acompanhamento específico.

Pérola Clínica

Sintomas ansiosos com prejuízo funcional → Iniciar seguimento na UBS + Considerar ISRS.

Resumo-Chave

Transtornos de ansiedade comuns devem ser manejados preferencialmente na Atenção Primária, utilizando abordagem biopsicossocial e farmacoterapia com ISRS quando indicado.

Contexto Educacional

A Atenção Primária à Saúde (APS) é a porta de entrada preferencial para o cuidado em saúde mental. Transtornos de ansiedade, como o transtorno de pânico, manifestam-se frequentemente com sintomas físicos (palpitações, tremores, tontura) que levam o paciente a buscar atendimento médico. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e exige a exclusão de causas orgânicas. O tratamento padrão-ouro envolve a combinação de psicoterapia (especialmente a TCC) e farmacoterapia. Os ISRS são a primeira linha farmacológica devido ao perfil de segurança e eficácia a longo prazo. O seguimento longitudinal pela equipe de saúde da família permite a construção de vínculo e a monitorização da adesão ao tratamento.

Perguntas Frequentes

Quando encaminhar um paciente com ansiedade para o CAPS?

O encaminhamento para o Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) deve ser reservado para casos de transtornos mentais graves e persistentes, que apresentam alto risco social, refratariedade a múltiplos tratamentos realizados na APS, ou risco iminente de auto ou heteroagressão. Casos de transtorno de pânico ou ansiedade generalizada de gravidade leve a moderada, sem ideação suicida ou sintomas psicóticos, devem ser manejados prioritariamente pela equipe de Saúde da Família na Unidade Básica de Saúde. A APS deve utilizar ferramentas como o matriciamento com equipes de saúde mental para discutir casos complexos sem necessariamente transferir o cuidado. O objetivo é manter o paciente em seu território, fortalecendo sua rede de apoio local e evitando a estigmatização do tratamento especializado quando este não é estritamente necessário para o quadro clínico apresentado.

Qual o ISRS de escolha para iniciar o tratamento?

Não há uma superioridade absoluta de eficácia entre os diferentes Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS), mas a Sertralina e a Fluoxetina são frequentemente as primeiras escolhas na APS devido à ampla disponibilidade na rede pública e perfil de segurança bem estabelecido. A escolha deve considerar o perfil de efeitos colaterais e as comorbidades do paciente; por exemplo, a sertralina é preferível em idosos ou cardiopatas devido ao menor risco de interações medicamentosas e menor impacto no intervalo QT. É fundamental realizar a psicoeducação, explicando que o efeito terapêutico pleno demora de 2 a 4 semanas para iniciar e que sintomas ansiosos podem piorar levemente nos primeiros dias de uso. O tratamento deve ser iniciado com doses baixas e titulado gradualmente para melhorar a tolerância gástrica e adesão.

Como realizar a abordagem não farmacológica na UBS?

A abordagem não farmacológica na UBS deve ser multiprofissional e interdisciplinar, envolvendo escuta qualificada, orientações sobre higiene do sono, estímulo à prática regular de atividade física e técnicas de relaxamento ou respiração diafragmática. O apoio da psicologia da equipe ou do NASF é valioso para intervenções breves, grupos terapêuticos e suporte matricial. A educação do paciente sobre a natureza benigna dos sintomas físicos da ansiedade (psicoeducação) é essencial para reduzir o medo de novos ataques e a busca incessante por serviços de urgência. Além disso, a abordagem biopsicossocial permite identificar gatilhos ambientais, estressores laborais ou conflitos familiares que contribuem para o quadro, permitindo intervenções que vão além da prescrição de medicamentos, focando na promoção de saúde e autonomia do sujeito no seu contexto de vida.

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