SES-RJ - Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro — Prova 2026
Mulher, 35 anos, procura pronto atendimento por palpitações, tremores, sudorese e sensação de falta de ar. Relata que episódios semelhantes ocorrem de forma súbita, duram cerca de 15 minutos e são acompanhados de medo intenso de “morrer ou enlouquecer”. Refere que desde o primeiro episódio, há 2 meses, passou a evitar lugares públicos por receio de novas crises. Exames laboratoriais (TSH, hemograma, eletrólitos, ECG) estão normais. O diagnóstico mais provável e a conduta inicial recomendada são, respectivamente:
Crises súbitas + medo de morrer + exames normais = Transtorno de Pânico → ISRS + BZD (curto prazo).
O transtorno de pânico é caracterizado por ataques recorrentes e inesperados, seguidos por preocupação persistente ou mudanças comportamentais (como evitar locais públicos).
O transtorno de pânico é uma condição debilitante que frequentemente leva o paciente a múltiplas consultas em prontos-socorros devido a sintomas físicos alarmantes. A fisiopatologia envolve uma desregulação nos sistemas de neurotransmissores (serotonina, noradrenalina e GABA) e uma hipersensibilidade do sistema de alarme do tronco cerebral. O tratamento de primeira linha consiste em Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) ou Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN). A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é igualmente eficaz e, quando combinada à farmacoterapia, apresenta os melhores resultados a longo prazo, especialmente para reduzir comportamentos de esquiva agorafóbica.
Segundo o DSM-5, o diagnóstico requer ataques de pânico inesperados e recorrentes. Pelo menos um dos ataques deve ser seguido por um mês (ou mais) de: 1. Preocupação persistente com novos ataques ou suas consequências (ex: enfartar); ou 2. Uma mudança desadaptativa significativa no comportamento relacionada aos ataques (comportamento de esquiva).
Os ISRS (como sertralina ou fluoxetina) levam de 2 a 4 semanas para iniciar seu efeito terapêutico e podem, inicialmente, aumentar a ansiedade. O uso de benzodiazepínicos por curto prazo (2-4 semanas) ajuda no controle sintomático imediato e melhora a adesão do paciente até que o antidepressivo atinja níveis eficazes.
O diagnóstico diferencial inclui hipertireoidismo, arritmias cardíacas, feocromocitoma e uso de substâncias. No caso clínico, a normalidade do TSH, ECG e eletrólitos, somada à natureza súbita e autolimitada dos episódios com medo intenso, direciona fortemente para a etiologia psiquiátrica.
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