MedEvo Simulado — Prova 2026
Homem de 28 anos, bancário, comparece à consulta queixando-se de pensamentos intrusivos e imagens mentais persistentes de que seus familiares sofrerão um acidente fatal caso ele não organize seus livros por cores e tamanhos rigorosamente simétricos antes de sair de casa. O paciente relata que reconhece que tais pensamentos são absurdos e infundados, mas a tentativa de ignorá-los gera uma ansiedade insuportável, que só é aliviada após a execução do ritual de organização, o qual chega a consumir 4 horas do seu dia, prejudicando seu desempenho profissional. Ele está em uso de fluoxetina 40 mg/dia há 6 semanas, prescrita por um clínico geral, mas afirma não ter notado qualquer melhora nos sintomas ou na intensidade das ideias. Nega outras comorbidades psiquiátricas, uso de substâncias ilícitas ou histórico de tiques. Ao exame mental, apresenta-se vigil, orientado, com afeto ansioso e preservação da autocrítica. Com base na psicopatologia apresentada e nas diretrizes atuais de manejo, assinale a alternativa correta:
TOC → Doses de ISRS superiores às da depressão + tempo de resposta prolongado (8-12 sem).
O tratamento do TOC exige doses elevadas de ISRS e um período de observação maior para resposta clínica em comparação à depressão unipolar.
O Transtorno Obsessivo-Compulsivo (TOC) é caracterizado pela presença de obsessões (pensamentos, impulsos ou imagens intrusivas) e compulsões (comportamentos repetitivos ou atos mentais realizados para reduzir o sofrimento). A fisiopatologia envolve circuitos cortico-estriado-tálamo-corticais. O tratamento de primeira linha envolve a Terapia Cognitivo-Comportamental com Exposição e Prevenção de Resposta (EPR) e farmacoterapia com Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS). É fundamental que o clínico reconheça a necessidade de doses supraterapêuticas (comparadas àquelas usadas na depressão) e a lentidão da resposta clínica. No caso clínico apresentado, o paciente está em uso de dose intermediária por tempo insuficiente, justificando o aumento da dose e a manutenção da observação antes de considerar o quadro como refratário.
A obsessão é um pensamento intrusivo, recorrente e egodistônico, onde o paciente preserva a autocrítica e reconhece o absurdo da ideia, embora não consiga evitá-la voluntariamente. Já o delírio é uma crença fixa, inabalável e geralmente egossintônica, sem preservação da autocrítica, característica de quadros psicóticos onde o paciente acredita piamente na realidade daquela ideia.
Estudos clínicos demonstram que a resposta terapêutica no TOC está correlacionada a uma ocupação mais intensa de transportadores de serotonina no sistema nervoso central. Enquanto na depressão doses padrão costumam ser eficazes, no TOC a eficácia é dose-dependente, frequentemente exigindo o teto terapêutico da medicação (ex: 80mg de Fluoxetina) para alcançar remissão.
Diferente da depressão, onde 2-4 semanas podem sugerir resposta inicial, no TOC o período de latência é significativamente maior. As diretrizes recomendam manter a dose máxima tolerada por pelo menos 8 a 12 semanas antes de considerar falha terapêutica ou necessidade de potencialização com antipsicóticos ou troca de ISRS.
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