Transtorno Obsessivo Compulsivo: Diagnóstico e Sintomas Chave

SURCE - Sistema Único de Residência do Ceará — Prova 2022

Enunciado

Durante seu atendimento na demanda espontânea em uma UBS, você atende Dona Marta, de 52 anos. Dona Marta vem com queixa de "angústia" e traz o seguinte relato: "Doutor, desde agosto de 2019, quando minha filha terminou o namoro com um rapaz, eu não consigo superar o fim do relacionamento dela, porque ela perdeu a virgindade com esse rapaz. Doutor, eu durmo e acordo pensando nisso, eu não consigo tirar esse problema da minha cabeça. Eu já perdi 7 quilos, desde o fim desse relacionamento deles dois. Eu reconheço que isso é ridículo, que não faz sentido, que não me faz bem, mas eu não consigo nem mais ter relação com meu marido desde então. Eu não consigo tirar esses pensamentos da cabeça. Eu cheguei ao ponto de escrever cartas sobre como a vida dele e da minha filha poderia ser. Eu só consigo melhorar essa angústia se eu escrever. Eu já escrevi mais de 30 cartas." Considerando o relato de Dona Marta, assinale a alternativa com hipótese diagnóstica mais provável. 

Alternativas

  1. A) Fobia Social.
  2. B) Transtorno Esquizoafetivo.
  3. C) Transtorno Obsessivo Compulsivo.
  4. D) Transtorno de Ansiedade Generalizada.

Pérola Clínica

Pensamentos intrusivos egodistônicos + rituais para aliviar angústia = Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC).

Resumo-Chave

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é caracterizado por obsessões (pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e persistentes, intrusivos e indesejados, que causam ansiedade ou angústia) e/ou compulsões (comportamentos repetitivos ou atos mentais que o indivíduo se sente impelido a realizar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras rígidas). No caso, os pensamentos sobre o relacionamento da filha são as obsessões, e a escrita das cartas é a compulsão para aliviar a angústia.

Contexto Educacional

O Transtorno Obsessivo Compulsivo (TOC) é um transtorno neuropsiquiátrico crônico e debilitante, caracterizado pela presença de obsessões e/ou compulsões que consomem tempo significativo (mais de uma hora por dia) ou causam sofrimento clinicamente significativo ou prejuízo no funcionamento social, ocupacional ou em outras áreas importantes da vida do indivíduo. É um dos transtornos psiquiátricos mais comuns, com prevalência ao longo da vida de cerca de 1-3%, e frequentemente se inicia na adolescência ou início da vida adulta. As obsessões são pensamentos, impulsos ou imagens mentais recorrentes e persistentes, que são vivenciados como intrusivos e indesejados, e que na maioria dos indivíduos causam acentuada ansiedade ou angústia. As compulsões são comportamentos repetitivos (ex: lavar as mãos, organizar, verificar) ou atos mentais (ex: rezar, contar, repetir palavras em silêncio) que o indivíduo se sente compelido a executar em resposta a uma obsessão ou de acordo com regras que devem ser rigidamente aplicadas. O objetivo das compulsões é prevenir ou reduzir a ansiedade ou angústia, ou evitar algum evento ou situação temida. O diagnóstico do TOC é clínico, baseado nos critérios do DSM-5. O tratamento de primeira linha envolve a combinação de farmacoterapia, principalmente com inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) em doses otimizadas, e psicoterapia, com destaque para a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), especificamente a técnica de Exposição e Prevenção de Resposta (EPR). O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são fundamentais para melhorar o prognóstico e a qualidade de vida dos pacientes.

Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre obsessão e compulsão no TOC?

Obsessões são pensamentos, imagens ou impulsos recorrentes e persistentes, que são intrusivos e indesejados, causando ansiedade ou angústia. Compulsões são comportamentos repetitivos ou atos mentais que o indivíduo se sente impelido a realizar em resposta a uma obsessão, para reduzir a ansiedade ou prevenir algum evento temido.

O que significa dizer que as obsessões são egodistônicas?

Egodistônico significa que os pensamentos ou impulsos são percebidos como estranhos, irracionais ou inaceitáveis pelo próprio indivíduo, que reconhece que não fazem sentido, mas não consegue controlá-los. Isso gera grande sofrimento e diferencia o TOC de preocupações comuns ou pensamentos intrusivos aceitáveis.

Quais são as opções de tratamento para o Transtorno Obsessivo Compulsivo?

O tratamento mais eficaz para o TOC combina farmacoterapia, geralmente com inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) em doses mais altas do que para depressão, e psicoterapia, em particular a terapia cognitivo-comportamental (TCC) com exposição e prevenção de resposta.

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