Transtorno Mental Comum: Diagnóstico e Manejo na APS

MedEvo Simulado — Prova 2026

Enunciado

Geraldo, 54 anos, motorista de ônibus urbano há duas décadas, procura a Unidade Básica de Saúde com queixas de cefaleia tensional holocraniana, epigastralgia em queimação e insônia de conciliação que se intensificaram nos últimos 4 meses. Relata que a empresa de transportes anunciou um plano de demissão voluntária, gerando insegurança financeira. Ele já realizou endoscopia digestiva alta e tomografia de crânio por conta própria em clínicas particulares, ambos com resultados normais. Durante a consulta, Geraldo mostra-se ansioso, com fadiga persistente e irritabilidade, mas nega anedonia, perda de peso ou planos de autoextermínio. Possui diagnóstico de hipertensão arterial sistêmica, em uso regular de Enalapril 20 mg/dia. Refere ter tentado usar Amitriptilina 25 mg por três dias, por sugestão de um vizinho, mas suspendeu devido à sonolência excessiva durante o turno de trabalho e boca seca intensa. Diante desse cenário de sofrimento psíquico na Atenção Primária à Saúde (APS), qual a principal hipótese diagnóstica e a conduta inicial mais adequada?

Alternativas

  1. A) Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG); iniciar Alprazolam 0,5 mg à noite para manejo da insônia e prescrever Amitriptilina em dose escalonada para controle da cefaleia.
  2. B) Transtorno Mental Comum (TMC); aplicar o Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) para rastreamento e estabelecer plano terapêutico focado na escuta qualificada e abordagem biopsicossocial.
  3. C) Transtorno de Sintomas Somáticos; solicitar Ressonância Magnética de crânio para excluir causas orgânicas raras e tranquilizar o paciente quanto à benignidade do quadro.
  4. D) Episódio Depressivo Moderado; prescrever Fluoxetina 20 mg pela manhã e encaminhar o paciente ao Centro de Atenção Psicossocial (CAPS II) para acompanhamento especializado.

Pérola Clínica

Sofrimento psíquico inespecífico + sintomas somáticos → Transtorno Mental Comum (TMC) → SRQ-20.

Resumo-Chave

O TMC engloba sintomas de ansiedade, depressão e somatização que não preenchem critérios para transtornos graves, sendo manejado na APS via escuta qualificada e abordagem biopsicossocial.

Contexto Educacional

O Transtorno Mental Comum (TMC) é uma das demandas mais frequentes na Estratégia Saúde da Família. Frequentemente, o paciente apresenta sintomas físicos (cefaleia, epigastralgia) que mascaram o sofrimento psíquico subjacente, levando a uma cascata de exames complementares desnecessários. A identificação precoce através de instrumentos como o SRQ-20 permite uma abordagem centrada na pessoa, evitando a medicalização excessiva e iatrogenias. O manejo envolve a coordenação do cuidado e o fortalecimento da rede de apoio social do indivíduo. Em vez de focar apenas na farmacologia, o médico deve explorar o contexto de vida do paciente, como no caso do motorista Geraldo, onde a insegurança financeira é o gatilho principal. A abordagem biopsicossocial é a ferramenta de escolha para reduzir o sofrimento sem patologizar reações normais a estresses anormais.

Perguntas Frequentes

O que define o Transtorno Mental Comum (TMC)?

O TMC refere-se a um conjunto de sintomas inespecíficos, como insônia, fadiga, irritabilidade, esquecimento e queixas somáticas, que causam sofrimento mas não atendem aos critérios diagnósticos formais do DSM-5 para depressão ou transtornos de ansiedade graves. É extremamente prevalente na Atenção Primária à Saúde (APS), onde o contexto social e econômico do paciente desempenha papel crucial na gênese do sofrimento.

Qual a utilidade do SRQ-20 na prática clínica?

O Self-Reporting Questionnaire (SRQ-20) é uma ferramenta de rastreamento validada pela OMS para identificar sofrimento psíquico. Composto por 20 perguntas de sim/não, ajuda o médico de família a quantificar a suspeita de TMC, facilitando a decisão entre observação cautelosa e intervenção. Um escore acima do ponto de corte sugere alta probabilidade de transtorno mental não psicótico.

Como deve ser a conduta inicial no TMC?

A conduta foca na abordagem biopsicossocial, priorizando a escuta qualificada, a validação do sofrimento do paciente e a investigação de determinantes sociais (como insegurança no trabalho). O uso de psicofármacos é reservado para casos específicos após falha de medidas não farmacológicas, evitando a medicalização desnecessária de problemas sociais ou existenciais.

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