Manejo do Trauma e Luto na Infância: Condutas Clínicas

INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2015

Enunciado

Um menino de 7 anos de idade, filho de genitor desconhecido, presenciou a morte da mãe. Desde então, passou a apresentar alterações do sono, com terror noturno. Na escola, mudou seu comportamento, passou a se isolar das brincadeiras com os colegas, demonstrando alteração no humor. Além disso, desistiu das aulas de violão que antes gostava de frequentar. A tia materna, que assumiu sua criação, o levou ao ambulatório em busca de ajuda. Nesse caso, além da intervenção multiprofissional, qual a conduta adequada?

Alternativas

  1. A) Suspender as atividades escolares, com retorno progressivo, e prescrever clonidina.
  2. B) Sugerir a manutenção da rotina diária e ingresso em terapia cognitiva-comportamental.
  3. C) Sugerir aumento da ingestão de cálcio e ingresso em psicoterapia individual e em grupo.
  4. D) Instruir que as atividades escolares sejam desempenhadas em casa, e prescrever sertralina.

Pérola Clínica

Trauma infantil → Manter rotina diária + Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) = Conduta de 1ª linha.

Resumo-Chave

Após eventos traumáticos graves, a estabilização do ambiente através da manutenção da rotina e o suporte psicoterapêutico especializado (TCC) são fundamentais antes de intervenções farmacológicas.

Contexto Educacional

O manejo de crianças expostas a traumas graves (como a morte de um genitor) exige uma abordagem cautelosa. Os sintomas apresentados (terror noturno, isolamento, anedonia) sugerem um quadro de reação ao estresse grave ou luto complicado. A prioridade é restabelecer a sensação de segurança. A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) é a modalidade com maior evidência científica para o tratamento de sintomas de estresse pós-traumático em pediatria. A manutenção das atividades escolares e sociais é encorajada para evitar a cronificação do isolamento e promover a resiliência.

Perguntas Frequentes

Qual a primeira linha de tratamento para trauma infantil?

A primeira linha envolve intervenções psicossociais, como a manutenção da rotina da criança (escola, horários) e o início de psicoterapia, preferencialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental focada no trauma.

Quando usar medicação em crianças com sintomas pós-traumáticos?

O uso de fármacos como a sertralina ou outros ISRS é reservado para casos onde não há resposta à terapia ou quando os sintomas são graves e incapacitantes, sempre em conjunto com a psicoterapia.

Por que manter a rotina escolar é importante no trauma?

A rotina oferece previsibilidade e segurança para a criança, ajudando na regulação emocional e prevenindo o isolamento social, que poderia agravar o quadro depressivo ou ansioso.

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