FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2016
Silene voltava do trabalho, à noite. Passando por uma viela, foi abordada por dois indivíduos: reviraram sua bolsa, tomaram lhe o dinheiro. Foi molestada, mas não completaram o estupro, pois perceberam transeuntes se aproximando. Selene ficou petrificada, não teve reação alguma, fizeram o que quiseram com ela, sem esboçar reação. Percebeu que tinha urinado, pois estava molhada. Voltou para casa, não contou o fato a sua família. Quase 1 ano após o fato, Silene sofre com o ocorrido, tem sonhos vívidos, não sai mais à noite com amigos e faz um novo caminho para ir ao trabalho, demorando 15 minutos a mais, contudo, sente-se mais segura evitando as cercanias da viela onde ocorreu o abuso. Qual o diagnóstico desta paciente?
TEPT = sintomas intrusivos, evitação, alterações cognitivas/humor, hiperreatividade > 1 mês após trauma.
O Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) é caracterizado pela persistência de sintomas como revivência do trauma (sonhos vívidos), evitação de estímulos associados e alterações no humor e reatividade, que duram mais de um mês e causam sofrimento significativo. A cronificação dos sintomas é um critério chave para diferenciá-lo da Reação Aguda ao Estresse.
O Transtorno do Estresse Pós-Traumático (TEPT) é uma condição psiquiátrica que pode se desenvolver após a exposição a um evento traumático, como violência, acidentes graves, desastres naturais ou combate. É caracterizado por um conjunto de sintomas que persistem por mais de um mês e causam sofrimento significativo ou prejuízo funcional. A prevalência ao longo da vida é de aproximadamente 7-8% na população geral, sendo mais comum em mulheres e indivíduos expostos a traumas repetidos ou severos. O reconhecimento precoce é crucial para intervenção e prevenção de cronicidade. A fisiopatologia do TEPT envolve alterações neurobiológicas, incluindo disfunção do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, hiperatividade da amígdala e hipoatividade do córtex pré-frontal medial. O diagnóstico é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, que incluem sintomas intrusivos (flashbacks, pesadelos), evitação de estímulos associados ao trauma, alterações negativas na cognição e humor (anedonia, culpa, isolamento) e alterações na excitação e reatividade (irritabilidade, hipervigilância, dificuldade de concentração). É fundamental diferenciar de outras condições como transtorno de estresse agudo, transtornos de ansiedade e depressão. O tratamento do TEPT é multifacetado e geralmente envolve psicoterapia, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) focada no trauma e a dessensibilização e reprocessamento por movimentos oculares (EMDR), e farmacoterapia. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são a primeira linha de tratamento medicamentoso. O prognóstico varia, mas a intervenção precoce e o suporte social adequado podem melhorar significativamente os resultados. É importante abordar com sensibilidade e oferecer um ambiente seguro ao paciente.
Os sintomas do TEPT incluem revivência do evento traumático (flashbacks, pesadelos), evitação de lembranças ou situações associadas ao trauma, alterações negativas no humor e cognição, e hiperreatividade (irritabilidade, hipervigilância).
A principal diferença é a duração dos sintomas. O Transtorno de Estresse Agudo ocorre de 3 dias a 1 mês após o trauma, enquanto o TEPT é diagnosticado quando os sintomas persistem por mais de 1 mês.
Deve-se suspeitar de TEPT quando um paciente apresenta sintomas persistentes de revivência, evitação e hiperreatividade por mais de um mês após ter sido exposto a um evento traumático, causando sofrimento ou prejuízo funcional.
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