SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2024
Homem, 35 anos de idade, motorista de transporte por aplicativo, comparece à Unidade Básica de Saúde acompanhado da esposa. O paciente vem apresentando episódios frequentes de ansiedade caracterizados como sudorese excessiva, taquicardia, sensação de formigamento em mãos e sensação de morte iminente. Relata que foi vítima de um assalto violento há cerca de quatro meses enquanto trabalhava. Embora no momento do assalto tenha se mantido calmo, assim como no mês subsequente, há três meses tem experimentado os sintomas descritos, além de lembranças muito vívidas do evento. Acorda até 4 vezes por noite com pesadelos que relembram o episódio. Não consegue passar pelas áreas onde o assalto ocorreu e sente os sintomas motivadores da consulta ao ouvir barulhos altos semelhantes a tiros ou sirenes, o que tem dificultado e, até, impedido o trabalho. Nega sintomas anteriores. Nega alcoolismo ou uso de drogas. Tem história familiar de doença mental – prima com depressão. Sua esposa nota, também, que ele está mais retraído e que evita interações sociais. O paciente chegou à UBS em busca de ajuda, afirmando que esses sintomas estão prejudicando, seriamente, sua qualidade de vida e sua capacidade de trabalhar.Indique o fármaco (droga) disponível no SUS que apresenta melhores evidências para tratamento específico do caso:
TEPT (flashbacks + esquiva + hiperestimulação > 1 mês) → ISRS (Fluoxetina/Sertralina) é a 1ª linha.
O paciente apresenta a tríade clássica do TEPT após evento traumático; os ISRS são a primeira linha farmacológica por tratarem tanto os sintomas intrusivos quanto a ansiedade associada.
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é uma condição debilitante que surge após a vivência de eventos estressores extremos. A fisiopatologia envolve uma desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e uma hiperatividade da amígdala, resultando em memórias traumáticas que não são processadas adequadamente. O tratamento de escolha envolve uma combinação de psicoterapia focada no trauma (como a Terapia Cognitivo-Comportamental) e farmacoterapia. Entre os fármacos, os ISRS (Fluoxetina, Sertralina, Paroxetina) têm o maior nível de evidência. A Fluoxetina, disponível na Relação Nacional de Medicamentos Essenciais (RENAME) do SUS, é uma ferramenta valiosa para o médico de família, auxiliando na estabilização do humor e na redução da reatividade emocional, permitindo que o paciente retome suas atividades laborais e sociais.
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é diagnosticado após exposição a eventos traumáticos severos. Segundo o DSM-5, exige sintomas em quatro domínios por mais de um mês: 1) Sintomas intrusivos, como flashbacks e pesadelos recorrentes; 2) Comportamento de esquiva de estímulos que recordem o trauma; 3) Alterações negativas na cognição e humor, como retraimento social e crenças negativas persistentes; e 4) Hiperexcitabilidade autonômica, com respostas de sobressaltos exageradas, irritabilidade e insônia. O paciente do caso clínico preenche todos esses critérios após um assalto, apresentando sofrimento significativo e prejuízo funcional em sua rotina como motorista. O reconhecimento precoce desses sintomas na Atenção Primária é crucial para o início do tratamento adequado e prevenção da cronificação do quadro.
A Fluoxetina é um Inibidor Seletivo da Recaptação de Serotonina (ISRS) que se destaca como escolha farmacológica de primeira linha para o TEPT no SUS. Diretrizes internacionais recomendam os ISRS devido à eficácia em reduzir os clusters de sintomas: intrusão, esquiva e hiperestimulação. A Fluoxetina aumenta a disponibilidade de serotonina, ajudando a regular a resposta da amígdala e a modulação emocional. Além de tratar o núcleo do TEPT, é eficaz em comorbidades como depressão e transtornos de ansiedade. Sua ampla disponibilidade nas Unidades Básicas de Saúde e perfil de segurança conhecido a tornam a opção mais acessível para o manejo inicial. O tratamento deve ser mantido por tempo prolongado, geralmente de 6 a 12 meses após a remissão dos sintomas, para evitar recaídas.
O uso de benzodiazepínicos, como o Clonazepam, no TEPT exige cautela. Embora aliviem agudamente a ansiedade e insônia, eles não tratam a fisiopatologia subjacente do transtorno. Evidências sugerem que podem interferir nos processos de extinção do medo, essenciais para a recuperação na terapia. Pacientes com TEPT têm risco elevado de abuso de substâncias, e benzodiazepínicos aumentam o risco de dependência e tolerância. Portanto, não são recomendados como primeira linha ou monoterapia. Seu uso deve ser restrito a períodos curtos e apenas como adjuvante para crises extremas, priorizando sempre os ISRS e a psicoterapia focada no trauma. O médico deve focar no tratamento de longo prazo com medicações que promovam a neuroplasticidade e a regulação emocional sustentada, como os antidepressivos serotoninérgicos.
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