UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023
Mulher, 30 anos, procura atendimento médico devido à tristeza, ao nervosismo, à dificuldade de dormir e ao desinteresse por seus amigos nos últimos 4 meses. Relata que o quadro iniciou após ter sido estuprada por um antigo amigo após uma festa. Ela não se sente à vontade ao ser questionada mais a fundo sobre o ataque. A paciente informou o ocorrido somente a alguns de seus colegas, mas não formalizou denúncia. Ela relata ter pesadelos sobre o estupro, preocupações quanto à sua segurança e dificuldades em relacionamentos íntimos com homens. Dentre as opções medicamentosas, o médico pode considerar a prescrição de
TEPT pós-estupro → ISRS/IRSN (ex: Venlafaxina) são primeira linha farmacológica.
O quadro clínico da paciente, com sintomas de intrusão (pesadelos), evitação (não se sente à vontade para falar), alterações negativas de cognição e humor (tristeza, desinteresse) e hipervigilância (preocupações com segurança), após um evento traumático, é altamente sugestivo de Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT). Antidepressivos como os ISRS e IRSN são a primeira linha de tratamento farmacológico.
O Transtorno de Estresse Pós-Traumático (TEPT) é uma condição psiquiátrica debilitante que pode se desenvolver após a exposição a um evento traumático, como violência sexual, combate militar, acidentes graves ou desastres naturais. Caracteriza-se por um conjunto de sintomas que incluem revivência do trauma (flashbacks, pesadelos), evitação de estímulos associados ao trauma, alterações negativas na cognição e humor (sentimentos de culpa, anedonia) e hiperatividade autonômica (irritabilidade, hipervigilância, dificuldade de concentração e sono). O diagnóstico requer que esses sintomas persistam por mais de um mês e causem sofrimento significativo ou prejuízo funcional. A fisiopatologia do TEPT envolve alterações neurobiológicas em áreas cerebrais como o córtex pré-frontal, amígdala e hipocampo, resultando em desregulação do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal e dos sistemas de neurotransmissores, como serotonina e noradrenalina. O tratamento do TEPT é multifacetado e geralmente combina psicoterapia e farmacoterapia. A psicoterapia focada no trauma, como a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a EMDR, é considerada a abordagem de primeira linha. No que diz respeito à farmacoterapia, os antidepressivos são a classe de medicamentos mais estudada e eficaz. Os Inibidores Seletivos da Recaptação de Serotonina (ISRS) e os Inibidores da Recaptação de Serotonina e Noradrenalina (IRSN), como a venlafaxina, são considerados tratamentos de primeira linha. A venlafaxina, ao aumentar os níveis de serotonina e noradrenalina na fenda sináptica, ajuda a modular o humor, a ansiedade e a resposta ao estresse, aliviando os sintomas do TEPT. Outras opções como valproato, lamotrigina, tiagabina e zonisamida são anticonvulsivantes e não são consideradas de primeira linha para o tratamento do TEPT.
O TEPT é diagnosticado com base na exposição a um evento traumático e na presença de sintomas de intrusão (pesadelos, flashbacks), evitação (de lembranças ou situações), alterações negativas na cognição e humor, e alterações na excitação e reatividade (hipervigilância, irritabilidade), persistindo por mais de um mês.
A venlafaxina é um inibidor da recaptação de serotonina e noradrenalina (IRSN) e é considerada uma medicação de primeira linha para o TEPT, assim como os ISRS (inibidores seletivos da recaptação de serotonina), devido à sua eficácia na redução dos sintomas de ansiedade, depressão e intrusão associados ao transtorno.
A psicoterapia, especialmente a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) focada no trauma e a Dessensibilização e Reprocessamento por Movimentos Oculares (EMDR), é considerada a pedra angular do tratamento do TEPT e deve ser combinada com a farmacoterapia para melhores resultados.
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