HPEV - Hospital Professor Edmundo Vasconcelos (SP) — Prova 2022
Menino de 3 anos de idade está em consulta de puericultura. A mãe queixa-se que o filho demorou a falar, com as primeiras palavras aos 2 anos de idade, depois desapareceu as palavras e hoje só fala "mama". Queixa-se também que o filho não atende ao chamado pelo nome, não olha nos olhos, não se interessa pelas crianças da creche e que tem seletividade alimentar (só come comidas crocantes). Recentemente começou a fazer movimentos de balançar as mãos e girar no próprio eixo quando está feliz, além de enfileirar seus brinquedos. A criança é saudável, nascida a termo. A mãe nega doenças crônicas, histórico prévio de infecção de ouvido e de crises convulsivas. Seu desenvolvimento motor grosso e fino é adequado. Ao exame clínico, não apresenta alterações significativas, com perimetro cefálico, peso e estatura entro o Z escore 0 e +1. De acordo com as informações, qual é a principal hipótese diagnóstica?
Regressão de linguagem + Dificuldade social + Comportamentos repetitivos (estereotipias) + Seletividade alimentar → Alta suspeita de Transtorno do Espectro Autista (TEA).
O quadro clínico descrito, com regressão de linguagem, dificuldades de interação social, falta de contato visual, seletividade alimentar e comportamentos repetitivos (estereotipias), é altamente sugestivo de Transtorno do Espectro Autista (TEA) em uma criança de 3 anos.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por déficits persistentes na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A epidemiologia do TEA tem mostrado um aumento na prevalência, tornando seu reconhecimento precoce fundamental para a intervenção e melhor prognóstico. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico diferencial preciso para iniciar terapias adequadas. A fisiopatologia do TEA é complexa e multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais que afetam o desenvolvimento cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na observação dos comportamentos e no relato dos pais, conforme critérios do DSM-5. Os sinais de alerta incluem atraso ou regressão da linguagem, dificuldade em iniciar ou manter interações sociais, falta de contato visual, ausência de sorriso social, e a presença de estereotipias (movimentos repetitivos) ou interesses restritos. A seletividade alimentar é também um achado comum. O tratamento do TEA é multidisciplinar e focado em terapias comportamentais, fonoaudiologia, terapia ocupacional e, quando necessário, intervenções farmacológicas para sintomas associados. O prognóstico é significativamente melhor com o diagnóstico e a intervenção precoce. Para residentes, é crucial estar atento aos marcos do desenvolvimento infantil e aos sinais de alerta para TEA durante as consultas de puericultura, a fim de encaminhar a criança para avaliação especializada o mais rápido possível, garantindo o acesso a intervenções que podem otimizar o desenvolvimento e a qualidade de vida.
Os principais sinais incluem atraso ou regressão na linguagem, dificuldades na interação social (não responder ao nome, falta de contato visual, não se interessar por outras crianças), e a presença de comportamentos repetitivos e estereotipados, como balançar as mãos ou enfileirar objetos.
Sim, a seletividade alimentar é bastante comum em crianças com TEA. Elas podem ter aversão a certas texturas, cores ou tipos de alimentos, preferindo uma dieta muito restrita e específica, como o caso de só comer comidas crocantes.
A regressão da linguagem, onde a criança adquire algumas palavras e depois as perde, é um sinal de alerta significativo para TEA. Isso sugere uma alteração no desenvolvimento neurológico que merece investigação imediata, diferenciando-o de um simples atraso de linguagem.
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