Transtorno do Espectro Autista: Sinais Precoces e Manejo

HSA Guarujá - Hospital Santo Amaro de Guarujá (SP) — Prova 2023

Enunciado

Menino de 24 meses é trazido para consulta de rotina pela mãe, preocupada com sua fala e comportamento. Ela refere que o filho usa um total de 10 palavras para se comunicar e que direciona a mão da mãe para pegar os objetos que deseja. Ele não aponta ou faz contato ocular. Tem crises de choro e rebeldia quando ocorre alguma mudança em sua rotina ou ouve sons altos. Ele se fascina por luzes e não interage bem com outras crianças. Sua avaliação auditiva e exame físico são normais. O desenvolvimento desse paciente:

Alternativas

  1. A) é preocupante para transtorno do espectro autista; deve-se encaminhar para centro de intervenção precoce.
  2. B) sugere transtorno do espectro autista; deve-se fazer orientações comportamentais e reavaliar em 6 meses.
  3. C) é normal para idade e pelo contexto recente de baixa interação social na pandemia; sugere-se matricular na escola e reavaliar em 6 meses.
  4. D) sugere transtorno de aquisição da fala: deve-se encaminhar para avaliação fonoaudiológica.

Pérola Clínica

TEA < 24 meses: atraso fala, comunicação não verbal alterada, comportamentos repetitivos, dificuldade interação social → encaminhar para intervenção precoce.

Resumo-Chave

Aos 24 meses, o uso de apenas 10 palavras, a ausência de apontar e contato ocular, além de comportamentos como direcionar a mão da mãe e fascínio por luzes, são fortes indicadores de Transtorno do Espectro Autista. A intervenção precoce é crucial para otimizar o desenvolvimento.

Contexto Educacional

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurodesenvolvimental caracterizada por déficits persistentes na comunicação social e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Sua prevalência tem aumentado, sendo crucial o reconhecimento precoce para otimizar o desenvolvimento. É uma condição heterogênea, com amplo espectro de manifestações clínicas. O diagnóstico do TEA é clínico, baseado na observação do comportamento e na história do desenvolvimento, conforme critérios do DSM-5. Sinais de alerta em crianças pequenas incluem atraso na fala, ausência de gestos comunicativos (como apontar), pouco contato visual, dificuldade em compartilhar atenção, interesses restritos, comportamentos repetitivos (estereotipias) e sensibilidade sensorial atípica. Aos 24 meses, a presença de múltiplos desses sinais, como no caso apresentado, justifica a preocupação e o encaminhamento. A conduta mais adequada diante da suspeita de TEA é o encaminhamento imediato para avaliação diagnóstica especializada e para centros de intervenção precoce. A intervenção multidisciplinar, que pode incluir fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicoterapia comportamental (ABA), entre outras, deve ser iniciada o mais cedo possível para maximizar o potencial de desenvolvimento da criança e melhorar suas habilidades adaptativas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para TEA em crianças de 2 anos?

Sinais de alerta incluem atraso significativo na fala (menos de 50 palavras ou ausência de frases de 2 palavras), dificuldade em iniciar ou manter contato visual, ausência de apontar para compartilhar interesse, comportamentos repetitivos e dificuldade na interação social.

Por que a intervenção precoce é tão importante no TEA?

A intervenção precoce, idealmente antes dos 3 anos, aproveita a plasticidade cerebral para desenvolver habilidades de comunicação, sociais e adaptativas, melhorando significativamente o prognóstico e a qualidade de vida da criança.

Como diferenciar um atraso de fala simples de um sinal de TEA?

Um atraso de fala simples geralmente não é acompanhado por outras alterações na comunicação social (como contato visual, apontar, reciprocidade social) ou por comportamentos repetitivos e interesses restritos, que são característicos do TEA.

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