Transtorno do Espectro Autista: Sinais em Pré-escolares

Santa Casa de Rondonópolis (MT) — Prova 2023

Enunciado

Pré-escolar de 3 anos de idade do sexo masculino foi trazido para consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde pelos pais, que relatam estarem preocupados com o filho porque o mesmo não está conseguindo se adaptar na escolinha. Não participa das brincadeiras com os colegas, preferindo ficar isolado dentro da sala. Fala poucas palavras e tende a repetir o mesmo som várias vezes. Fica agitado quando é abraçado pelos pais ou com alguns sons de televisão e faz pouco contato visual. Não se interessa por contato com irmão mais novo, de 4 meses. Para esta criança, assinale a hipótese diagnóstica MAIS PROVÁVEL:

Alternativas

  1. A) Atraso de linguagem (estimulação insuficiente).
  2. B) Comportamento reativo (nascimento do irmão).
  3. C) Desenvolvimento adequado (variação individual).
  4. D) Transtorno do espectro autista (autismo infantil).

Pérola Clínica

Pré-escolar com dificuldade social, fala repetitiva, hipersensibilidade e pouco contato visual → suspeitar de Transtorno do Espectro Autista.

Resumo-Chave

Os sinais apresentados pela criança, como dificuldade de interação social, fala repetitiva (ecolalia), agitação a estímulos sensoriais e pouco contato visual, são características marcantes do Transtorno do Espectro Autista (TEA), tornando-o a hipótese diagnóstica mais provável.

Contexto Educacional

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação e interação social em múltiplos contextos, e por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A prevalência do TEA tem aumentado globalmente, tornando seu reconhecimento precoce uma habilidade essencial para médicos da atenção primária e pediatras. A apresentação clínica varia amplamente, daí o termo 'espectro', mas alguns sinais são mais consistentes em pré-escolares. A fisiopatologia do TEA é complexa e multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais que afetam o desenvolvimento cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na observação do comportamento e na história de desenvolvimento da criança, conforme critérios do DSM-5. Sinais como dificuldade em se adaptar a novas situações (escolinha), preferência por isolamento, fala com repetições (ecolalia), agitação a estímulos sensoriais (abraços, sons) e pouco contato visual são altamente sugestivos de TEA. A falta de interesse por irmãos mais novos também aponta para dificuldades de interação social. Para o residente, a capacidade de identificar esses sinais de alerta é vital. O encaminhamento precoce para avaliação especializada e intervenção terapêutica (terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicoterapia comportamental) pode melhorar significativamente o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança. É importante não subestimar esses sinais, atribuindo-os a 'fases' ou 'birras', e sempre considerar o TEA em crianças com atrasos ou atipias no desenvolvimento social e comunicativo.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para o Transtorno do Espectro Autista em crianças pré-escolares?

Os principais sinais de alerta incluem dificuldades persistentes na comunicação e interação social, como pouco contato visual, ausência de gestos sociais, dificuldade em compartilhar interesses, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, como movimentos estereotipados, apego a rotinas e hipersensibilidade sensorial.

Como diferenciar o TEA de um simples atraso de linguagem?

Enquanto o atraso de linguagem se manifesta principalmente na dificuldade de fala, o TEA envolve um conjunto mais amplo de déficits, incluindo a comunicação social não verbal, a interação social e a presença de comportamentos repetitivos. A criança com TEA pode ter linguagem, mas com uso atípico, como ecolalia, e dificuldade em iniciar ou manter conversas recíprocas.

Qual a importância do diagnóstico precoce do Transtorno do Espectro Autista?

O diagnóstico precoce do TEA é crucial para que a criança possa iniciar intervenções terapêuticas o mais cedo possível. Intervenções comportamentais, educacionais e de desenvolvimento iniciadas na primeira infância podem melhorar significativamente as habilidades sociais, comunicativas e adaptativas, impactando positivamente o prognóstico a longo prazo.

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