Santa Casa de Rondonópolis (MT) — Prova 2023
Pré-escolar de 3 anos de idade do sexo masculino foi trazido para consulta de rotina na Unidade Básica de Saúde pelos pais, que relatam estarem preocupados com o filho porque o mesmo não está conseguindo se adaptar na escolinha. Não participa das brincadeiras com os colegas, preferindo ficar isolado dentro da sala. Fala poucas palavras e tende a repetir o mesmo som várias vezes. Fica agitado quando é abraçado pelos pais ou com alguns sons de televisão e faz pouco contato visual. Não se interessa por contato com irmão mais novo, de 4 meses. Para esta criança, assinale a hipótese diagnóstica MAIS PROVÁVEL:
Pré-escolar com dificuldade social, fala repetitiva, hipersensibilidade e pouco contato visual → suspeitar de Transtorno do Espectro Autista.
Os sinais apresentados pela criança, como dificuldade de interação social, fala repetitiva (ecolalia), agitação a estímulos sensoriais e pouco contato visual, são características marcantes do Transtorno do Espectro Autista (TEA), tornando-o a hipótese diagnóstica mais provável.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação e interação social em múltiplos contextos, e por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A prevalência do TEA tem aumentado globalmente, tornando seu reconhecimento precoce uma habilidade essencial para médicos da atenção primária e pediatras. A apresentação clínica varia amplamente, daí o termo 'espectro', mas alguns sinais são mais consistentes em pré-escolares. A fisiopatologia do TEA é complexa e multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais que afetam o desenvolvimento cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na observação do comportamento e na história de desenvolvimento da criança, conforme critérios do DSM-5. Sinais como dificuldade em se adaptar a novas situações (escolinha), preferência por isolamento, fala com repetições (ecolalia), agitação a estímulos sensoriais (abraços, sons) e pouco contato visual são altamente sugestivos de TEA. A falta de interesse por irmãos mais novos também aponta para dificuldades de interação social. Para o residente, a capacidade de identificar esses sinais de alerta é vital. O encaminhamento precoce para avaliação especializada e intervenção terapêutica (terapia ocupacional, fonoaudiologia, psicoterapia comportamental) pode melhorar significativamente o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança. É importante não subestimar esses sinais, atribuindo-os a 'fases' ou 'birras', e sempre considerar o TEA em crianças com atrasos ou atipias no desenvolvimento social e comunicativo.
Os principais sinais de alerta incluem dificuldades persistentes na comunicação e interação social, como pouco contato visual, ausência de gestos sociais, dificuldade em compartilhar interesses, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, como movimentos estereotipados, apego a rotinas e hipersensibilidade sensorial.
Enquanto o atraso de linguagem se manifesta principalmente na dificuldade de fala, o TEA envolve um conjunto mais amplo de déficits, incluindo a comunicação social não verbal, a interação social e a presença de comportamentos repetitivos. A criança com TEA pode ter linguagem, mas com uso atípico, como ecolalia, e dificuldade em iniciar ou manter conversas recíprocas.
O diagnóstico precoce do TEA é crucial para que a criança possa iniciar intervenções terapêuticas o mais cedo possível. Intervenções comportamentais, educacionais e de desenvolvimento iniciadas na primeira infância podem melhorar significativamente as habilidades sociais, comunicativas e adaptativas, impactando positivamente o prognóstico a longo prazo.
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