IAMSPE/HSPE - Instituto de Assistência Médica ao Servidor Público - Hospital do Servidor (SP) — Prova 2024
Uma criança de 2 anos e 6 meses, sexo masculino, nascida a termo, é levada ao ambulatório de puericultura pois ainda não desenvolveu a fala. Ela realiza pouca comunicação não-verbal com pais (não dá tchau e não aponta para objetos). Além disso, realiza atividades motoras de forma repetitiva e estereotipada e apresenta interesse fixo por brinquedos que produzem sons, irritando-se quando o objeto é retirado. Nesse contexto, em relação ao quadro apresentado pelo paciente, assinale a alternativa correta.
Criança <3 anos com atraso de fala, comunicação não-verbal reduzida, comportamentos repetitivos e interesses restritos → suspeitar de TEA, nível de suporte ≥ 2.
O quadro clínico descrito na criança de 2 anos e 6 meses, com atraso significativo na fala, comunicação não-verbal deficiente, comportamentos motores repetitivos e interesses restritos/fixos, é altamente sugestivo de Transtorno do Espectro Autista (TEA). A gravidade dos sintomas, especialmente a irritabilidade e a necessidade de suporte para a comunicação e comportamentos, indica pelo menos um nível 2 de suporte.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por déficits persistentes na comunicação social e interação social, e por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A importância clínica reside na necessidade de um diagnóstico precoce para que intervenções terapêuticas possam ser iniciadas o mais cedo possível, otimizando o desenvolvimento e a qualidade de vida da criança. A prevalência do TEA tem aumentado, sendo mais comum em meninos do que em meninas, e a apresentação clínica pode variar amplamente, daí o termo 'espectro'. A fisiopatologia do TEA é complexa e multifatorial, envolvendo uma combinação de fatores genéticos e ambientais que afetam o desenvolvimento cerebral. Os sinais e sintomas geralmente se manifestam nos primeiros anos de vida, com atrasos no desenvolvimento da fala, dificuldade em iniciar ou manter interações sociais, falta de contato visual, uso limitado de gestos, e comportamentos repetitivos como estereotipias motoras, ecolalia ou fixação em rotinas. É crucial suspeitar de TEA em crianças que apresentam 'bandeiras vermelhas' no desenvolvimento, como ausência de balbucio aos 12 meses, ausência de gestos comunicativos aos 12 meses, ausência de palavras únicas aos 16 meses, ausência de frases de duas palavras aos 24 meses, ou qualquer perda de habilidades sociais ou de linguagem em qualquer idade. O diagnóstico do TEA é clínico, baseado na observação do comportamento da criança e no histórico de desenvolvimento, sem a necessidade de exames laboratoriais específicos para confirmação. Ferramentas de triagem como a escala M-CHAT-R/F (Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised, with Follow-up) são úteis para identificar crianças em risco, mesmo na idade do paciente em questão. O tratamento envolve uma abordagem multidisciplinar com terapias comportamentais (ABA), fonoaudiologia, terapia ocupacional e, em alguns casos, medicação para sintomas associados. Os níveis de suporte (1, 2 ou 3) são atribuídos com base na gravidade dos déficits e na necessidade de auxílio para o funcionamento diário. O caso descrito, com atraso de fala, comunicação não-verbal limitada, comportamentos repetitivos e irritabilidade, sugere um TEA com necessidade de suporte substancial, ou seja, pelo menos nível 2.
Os critérios diagnósticos para TEA, segundo o DSM-5, incluem déficits persistentes na comunicação social e interação social em múltiplos contextos, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Ambos os conjuntos de critérios devem estar presentes desde a primeira infância e causar prejuízo clinicamente significativo.
Os níveis de suporte no TEA (Nível 1: exige suporte; Nível 2: exige suporte substancial; Nível 3: exige suporte muito substancial) são definidos pela gravidade dos déficits na comunicação social e pelos padrões de comportamentos restritos/repetitivos, e o impacto que esses déficits têm na funcionalidade diária do indivíduo.
O diagnóstico precoce do TEA é fundamental para que a criança possa iniciar intervenções terapêuticas comportamentais e educacionais o mais cedo possível. A intervenção precoce tem demonstrado melhorar significativamente o desenvolvimento da comunicação, habilidades sociais e comportamentos adaptativos, impactando positivamente o prognóstico a longo prazo.
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