FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2022
Criança de 5 anos é levada pelos pais ao consultório, segundo o que relatam, a escola tem se queixado da criança por não acompanhar os colegas no rendimento geral e por não conversar com os amigos e professores. Conforme o médico fazia mais perguntas sobre a criança, os pais explicam que ele sempre foi ""difícil de lidar"", que se irrita muito quando tocam nele, que faz ""escândalos"" quando tentam arrumar o cabelo dele. Mas que adora brincar com dinossauros, inclusive suas primeiras palavras se relacionavam a esses animais, sabendo mais de 30 nomes diferentes. Durante a consulta toda, a criança quase não respondeu às indagações da pediatra e não tirava o olho de uma figura colada na balança. O quadro descrito tem como provável diagnóstico:
Criança com dificuldades sociais, interesses restritos e hipersensibilidade sensorial → suspeitar de Transtorno do Espectro Autista.
O quadro clínico descrito, com déficits persistentes na comunicação social e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, é altamente sugestivo de Transtorno do Espectro Autista (TEA), conforme os critérios diagnósticos.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e interação social, e por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A prevalência tem aumentado, e o reconhecimento precoce dos sinais é fundamental para intervenção. O caso clínico apresenta características típicas como dificuldades de interação social na escola, irritabilidade ao toque (hipersensibilidade sensorial), interesses restritos e intensos (dinossauros) e dificuldades de comunicação. A fisiopatologia do TEA é complexa e multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais que afetam o desenvolvimento cerebral e a conectividade neural. O diagnóstico é clínico, baseado na observação do comportamento e no relato dos pais, utilizando os critérios do DSM-5. Sinais incluem dificuldades em iniciar ou manter conversas, falta de contato visual, interesses obsessivos, rotinas rígidas e reações atípicas a estímulos sensoriais, como a criança que não tira o olho de uma figura. O manejo do TEA é multidisciplinar, envolvendo terapias comportamentais (como ABA - Análise do Comportamento Aplicada), fonoaudiologia, terapia ocupacional e, em alguns casos, medicação para sintomas associados como irritabilidade ou hiperatividade. O prognóstico é variável, mas intervenções precoces e intensivas podem promover um desenvolvimento mais adaptativo e melhorar a autonomia da criança, sendo essencial o suporte contínuo à família.
Os critérios do DSM-5 para TEA incluem déficits persistentes na comunicação social e interação social em múltiplos contextos, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, que devem estar presentes desde a primeira infância e causar prejuízo funcional.
A hipersensibilidade sensorial pode se manifestar como irritabilidade ou aversão a certos toques, sons, cheiros ou texturas, como a criança que se irrita ao ter o cabelo arrumado ou que se fixa em um objeto visual específico.
O diagnóstico precoce do TEA é crucial para iniciar intervenções terapêuticas o mais cedo possível, o que pode melhorar significativamente o desenvolvimento da criança, suas habilidades sociais e de comunicação, e sua qualidade de vida a longo prazo.
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