Triagem de Autismo na Puericultura: Uso do M-CHAT-R/F

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026

Enunciado

A mãe de Lucas, um lactente de 18 meses de idade, comparece à consulta de puericultura expressando preocupação com o desenvolvimento do filho. Ela relata que Lucas ainda não aponta para objetos de interesse, prefere brincar sozinho alinhando seus carrinhos e tem dificuldade em manter contato visual. Além disso, não responde consistentemente quando chamado pelo nome. A mãe menciona que um familiar sugeriu que "cada criança tem seu tempo" e que não se deve "rotular" cedo demais. Lucas teve desenvolvimento motor típico e não há histórico familiar de problemas do desenvolvimento. Considerando a idade de Lucas e os relatos da mãe, e de acordo com as recomendações da Sociedade Brasileira de Pediatria, qual é a conduta inicial mais apropriada nesse momento?

Alternativas

  1. A) Tranquilizar a mãe, explicando que os sinais são inespecíficos para a idade e que uma reavaliação deve ser agendada para os 24 meses de vida, quando os marcos de linguagem estarão mais estabelecidos.
  2. B) Realizar a aplicação do questionário M-CHAT-R/F e, caso o resultado indique risco de TEA, iniciar imediatamente o processo de encaminhamento para avaliação multidisciplinar especializada.
  3. C) Solicitar exames de neuroimagem, como ressonância magnética de crânio, para descartar outras condições neurológicas que possam justificar os sintomas apresentados.
  4. D) Prescrever risperidona em baixa dose para tentar melhorar a interação social e diminuir a irritabilidade, aguardando a resposta terapêutica antes de outras investigações.
  5. E) Recomendar a inclusão da criança em uma creche ou berçário para estimular a socialização, considerando que a falta de contato com outras crianças pode ser a principal causa dos sintomas.

Pérola Clínica

Sinais de alerta para TEA aos 18 meses → Aplicar M-CHAT-R/F + Encaminhamento precoce.

Resumo-Chave

A triagem universal para TEA com o M-CHAT-R/F é recomendada entre 18 e 24 meses; sinais de atraso social exigem investigação imediata, sem 'esperar para ver'.

Contexto Educacional

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades persistentes na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento. A identificação precoce é um dos pilares da pediatria moderna, pois intervenções iniciadas precocemente têm impacto significativo na funcionalidade e qualidade de vida a longo prazo. A aplicação de escalas de triagem como o M-CHAT-R/F permite objetivar a suspeita clínica durante a puericultura. É fundamental que o pediatra valorize as queixas maternas e os sinais observados em consultório, evitando condutas expectantes passivas. O diagnóstico precoce permite o acesso a terapias de estimulação que aproveitam a janela de oportunidade do desenvolvimento cerebral infantil.

Perguntas Frequentes

O que é o M-CHAT-R/F e quando deve ser aplicado?

O Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-Up (M-CHAT-R/F) é uma ferramenta de triagem validada para identificar riscos de Transtorno do Espectro Autista (TEA). A Sociedade Brasileira de Pediatria e o Ministério da Saúde recomendam sua aplicação em todas as crianças nas consultas de rotina entre 18 e 24 meses de idade, visando a detecção precoce de atrasos no desenvolvimento social e comunicativo.

Quais são os principais sinais de alerta para TEA aos 18 meses?

Os sinais incluem a ausência de atenção compartilhada (não apontar para mostrar interesse), contato visual pobre ou ausente, não responder consistentemente ao ser chamado pelo nome, preferência por brincar sozinho, comportamentos repetitivos (como alinhar objetos) e atraso na fala ou ausência de gestos sociais (como dar tchau).

Qual a conduta se o M-CHAT indicar risco de TEA?

Se o resultado da triagem indicar risco moderado ou alto, a criança deve ser encaminhada imediatamente para uma avaliação multidisciplinar especializada (psicólogo, fonoaudiólogo, neuropediatra ou psiquiatra infantil). É fundamental não aguardar o fechamento do diagnóstico definitivo para iniciar as intervenções estimuladoras, pois a plasticidade cerebral nessa faixa etária favorece melhores resultados terapêuticos.

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