SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2025
Menino, 2 anos de idade, é levado ao pediatra por sua mãe, preocupada porque o menor não fala nem atende quando é chamado pelo nome. O menor fica agitado com barulhos altos, não demonstra interesse em brincar com outras crianças, evita o contato visual e apresenta comportamentos repetitivos como alinhar brinquedos em filas. Relata Testes de Triagem Neonatal sem alterações. Especifique o exame que mais será útil na investigação inicial do caso apresentado:
Atraso de fala ou não atender pelo nome → SEMPRE descartar deficiência auditiva com Audiometria.
Antes de fechar o diagnóstico de TEA, é obrigatório excluir déficits sensoriais, especialmente a perda auditiva, que pode mimetizar falhas na interação social e linguagem.
O diagnóstico do Transtorno do Espectro Autista (TEA) é eminentemente clínico, baseado nos critérios do DSM-5. No entanto, a investigação de atrasos globais do desenvolvimento exige uma abordagem sistemática para excluir causas orgânicas tratáveis ou mimetizadoras. A deficiência auditiva pode simular perfeitamente o isolamento social e a falta de resposta verbal. Além da audiometria, a avaliação deve incluir o histórico familiar, exame físico detalhado (buscando estigmas sindrômicos) e, em casos selecionados, avaliação genética (como o Microarray ou X-Frágil), mas a função sensorial sempre precede esses exames complexos.
A audiometria é fundamental porque a deficiência auditiva é o principal diagnóstico diferencial e, por vezes, uma comorbidade em crianças com atraso de fala e falha na interação social. Uma criança que não ouve adequadamente não responderá quando chamada pelo nome, poderá apresentar agitação em ambientes ruidosos (devido à distorção sonora) e terá dificuldades óbvias no desenvolvimento da linguagem verbal. Como o Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um diagnóstico clínico baseado em déficits de comunicação e interação, garantir a integridade da via auditiva é um passo propedêutico obrigatório para evitar diagnósticos errôneos e garantir a intervenção correta.
Aos 2 anos, sinais de alerta importantes incluem: ausência de contato visual sustentado, não compartilhar interesses (atenção compartilhada), não apontar para mostrar objetos, ausência de jogo simbólico (faz de conta), comportamentos motores repetitivos (flapping, girar), interesse sensorial incomum e apego excessivo a rotinas. O atraso na fala é frequentemente a queixa principal dos pais, mas os déficits na comunicação não verbal e na reciprocidade socioemocional são mais específicos para o diagnóstico de TEA. A triagem com instrumentos como o M-CHAT-R/F é recomendada entre 18 e 24 meses.
Não. O Teste de Triagem Neonatal (teste da orelhinha), embora essencial, detecta apenas perdas auditivas presentes ao nascimento. Perdas auditivas adquiridas, progressivas ou de início tardio (como as causadas por infecções citomegálicas, meningites ou causas genéticas não sindrômicas) podem surgir após o período neonatal. Portanto, diante de qualquer atraso de linguagem ou regressão de marcos comunicativos em uma criança pequena, uma nova avaliação audiológica completa (audiometria comportamental ou BERA, dependendo da idade e colaboração) é mandatória, independentemente do resultado da triagem neonatal.
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