Transtorno do Espectro Autista: Diagnóstico em Adolescentes

HASP - Hospital Adventista de São Paulo — Prova 2023

Enunciado

Um adolescente de 13 anos foi encaminhado para avaliação médica pela escola, pois ultimamente tem tido crises agressivas e ataques de raiva. Durante a consulta, o garoto faz pouco contato visual, mostra-se retraído, mas mantém bom nível de conversa, apesar da gagueira. Tem sofrido bullying desde que iniciou o 6o ano do ensino fundamental II, entrega para a médica o celular com várias mensagens negativas em relação ao seu jeito de ser. Mãe refere que ele falou as primeiras palavras com 14 meses de idade, mas frases completas apenas aos 3 anos, com muita dificuldade em articular determinados fonemas. Tem uma coleção imensa de trens e trilhos, tudo o que envolve transporte ferroviário desperta muito interesse nele. É muito organizado e rígido com sua coleção. Qual foi a principal hipótese diagnóstica levantada?

Alternativas

  1. A) Transtorno de oposição desafiante.
  2. B) Transtorno disruptivo da regulação do humor.
  3. C) Transtorno do espectro obsessivo-compulsivo.
  4. D) Transtorno do espectro autista.

Pérola Clínica

Atraso de linguagem, dificuldade social, interesses restritos/repetitivos e rigidez → Transtorno do Espectro Autista (TEA).

Resumo-Chave

O quadro clínico do adolescente, com atraso no desenvolvimento da linguagem, dificuldades de interação social (pouco contato visual, retraimento, bullying) e padrões de interesses restritos e repetitivos (coleção de trens, rigidez), são marcadores clássicos do Transtorno do Espectro Autista. As crises agressivas podem ser uma manifestação de sobrecarga sensorial ou frustração.

Contexto Educacional

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por déficits persistentes na comunicação social e interação social, e por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. A prevalência do TEA tem aumentado globalmente, e o diagnóstico precoce é crucial para intervenções eficazes, embora muitos casos sejam identificados apenas na adolescência ou idade adulta. No caso apresentado, vários elementos são sugestivos de TEA. O atraso no desenvolvimento da linguagem (primeiras palavras aos 14 meses, frases completas aos 3 anos com dificuldade de articulação) é um marco importante. As dificuldades de interação social, como pouco contato visual, retraimento e o histórico de bullying, indicam desafios na compreensão e expressão de nuances sociais. Além disso, os interesses restritos e intensos (coleção de trens) e a rigidez com a organização são características marcantes do TEA. As crises agressivas e ataques de raiva podem ser manifestações de sobrecarga sensorial, dificuldade em lidar com mudanças ou frustrações na comunicação, que são comuns em indivíduos com TEA. O diagnóstico diferencial inclui outros transtornos do neurodesenvolvimento e transtornos psiquiátricos, mas a combinação dos sintomas de comunicação, interação social e padrões de comportamento/interesses aponta fortemente para o TEA. O manejo envolve intervenções multidisciplinares focadas nas necessidades individuais do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais pilares diagnósticos do TEA segundo o DSM-5?

O DSM-5 define o TEA com base em déficits persistentes na comunicação social e interação social, e padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, que devem estar presentes desde a primeira infância.

Como o atraso de linguagem se manifesta no TEA?

O atraso de linguagem no TEA pode variar de ausência total de fala a dificuldades na pragmática da linguagem, como dificuldade em iniciar ou manter conversas, uso repetitivo de frases ou vocabulário formal.

Quais são os "interesses restritos e repetitivos" no TEA?

São interesses intensos e focados em tópicos específicos (como trens, mapas, dinossauros), adesão rígida a rotinas, movimentos motores repetitivos (estereotipias) ou uso incomum de objetos.

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