USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2023
Uma criança de quatro anos com deficiência intelectual e diagnóstico de síndrome de Down é avaliada por atraso de fala. Apresenta déficit de comunicação, socialização, estereotipias motoras e hipersensibilidade aos estímulos auditivos e táteis. Qual a provável comorbidade dessa criança?
Síndrome de Down + atraso de fala, déficit social, estereotipias, hipersensibilidade → suspeitar de Transtorno do Espectro Autista.
Crianças com síndrome de Down têm maior risco de comorbidades neuropsiquiátricas, incluindo o Transtorno do Espectro Autista (TEA). A presença de déficits de comunicação social, estereotipias e hipersensibilidade sensorial, mesmo na presença de deficiência intelectual, deve levantar a suspeita de TEA.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição neurodesenvolvimental caracterizada por déficits na comunicação social e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Em crianças com Síndrome de Down, a prevalência de TEA é maior do que na população geral, tornando essencial a atenção a sinais específicos para um diagnóstico diferencial e precoce. A deficiência intelectual, comum na Síndrome de Down, pode mascarar ou dificultar a identificação dos sintomas de TEA, exigindo uma avaliação clínica aprofundada. O diagnóstico de TEA em crianças com deficiência intelectual requer uma observação cuidadosa dos padrões de comportamento, comunicação e interação social, que vão além do esperado para o nível de desenvolvimento intelectual. Sinais como estereotipias motoras, hipersensibilidade a estímulos sensoriais (auditivos, táteis), ausência de contato visual recíproco, dificuldade em compartilhar prazer ou interesses, e atraso ou regressão na fala e linguagem, devem levantar a suspeita. A avaliação deve ser multidisciplinar, envolvendo pediatras, neurologistas infantis, psiquiatras infantis e terapeutas. O manejo do TEA em crianças com Síndrome de Down é complexo e individualizado, focando em terapias comportamentais, fonoaudiologia, terapia ocupacional e intervenções educacionais. O prognóstico melhora significativamente com a intervenção precoce e contínua, visando desenvolver habilidades de comunicação, socialização e autonomia. É crucial que residentes e profissionais de saúde estejam atentos a essa comorbidade para oferecer o suporte adequado e otimizar o desenvolvimento dessas crianças.
Os principais sinais incluem déficits persistentes na comunicação social e interação social, padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades, e hipersensibilidade a estímulos sensoriais. Estes podem ser mais difíceis de identificar devido à deficiência intelectual preexistente.
O diagnóstico precoce de TEA permite o acesso a intervenções terapêuticas específicas e individualizadas, que podem melhorar significativamente o desenvolvimento da comunicação, habilidades sociais e comportamentais, impactando positivamente a qualidade de vida da criança e da família.
A prevalência de TEA em crianças com Síndrome de Down é significativamente maior do que na população geral, variando entre 5% e 10% em alguns estudos. Essa comorbidade exige uma avaliação cuidadosa e multidisciplinar.
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