Autismo em Pré-Escolares: Sinais e Diagnóstico

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2024

Enunciado

Pré-escolar do sexo masculino, com dois anos e meio de idade, apresenta um comportamento agitado e irritabilidade. Trata-se do segundo filho de um casal em que mãe tem 40 anos e pai tem 47 anos. Eles relatam que, no primeiro ano de vida, era um bebê tranquilo. No segundo ano de vida, preocupavam-se com “crises” de agitação e choro incontrolável em situações de frustração ou com barulho intenso (festas, dias de chuva). Os pais acham que a criança fala menos que os irmãos na mesma idade e ainda não diz frases. Desconfiam que ele possa ter algum problema de audição, pois não responde quando chamam seu nome e não presta atenção quando conversam com ele. Parentes próximos dizem que ele está triste, pois não gosta de brincar com outras crianças e fica muito irritado ao sugerirem que compartilhe seus brinquedos. Sobre o diagnóstico mais provável, é correto afirmar que

Alternativas

  1. A) O diagnóstico de autismo é improvável, pois, embora a criança tenha dificuldade em comportamentos comunicativos não verbais (linguagem corporal e olhar), no autismo há facilidade do indivíduo comprometido em estabelecer relacionamentos imaginativos com outras crianças de menor idade, com uma rica comunicação verbal fantasiosa.
  2. B) O diagnóstico de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade é provável, mas o diferencial com autismo é difícil pela dificuldade de foco, interesses amplos e efêmeros e transições comportamentais rápidas e fugazes, muito comuns a essas duas condições.
  3. C) O diagnóstico de autismo é provável, com base sobremaneira em dificuldades na comunicação verbal e não verbal, na reciprocidade emocional, na flexibilidade das rotinas e no processamento sensorial.
  4. D) A escala “M-CHAT”, proposta pela Sociedade Brasileira de Pediatria para aplicação rotineira em crianças, é um instrumento para o diagnóstico de certeza do autismo em crianças pequenas.

Pérola Clínica

Autismo em pré-escolares → dificuldades em comunicação, interação social, flexibilidade e processamento sensorial.

Resumo-Chave

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) manifesta-se precocemente por déficits persistentes na comunicação social e padrões restritos/repetitivos de comportamento. A idade de 2,5 anos é um período crucial para a identificação de sinais como atraso na fala, dificuldade de interação e sensibilidade sensorial, que são pilares para o diagnóstico.

Contexto Educacional

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e na interação social, e por padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Sua prevalência tem aumentado, tornando o diagnóstico precoce crucial para intervenções eficazes. A identificação de sinais em pré-escolares, como o caso descrito, é fundamental para o encaminhamento e início de terapias que podem melhorar significativamente o prognóstico. A fisiopatologia do TEA é complexa e multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais que afetam o desenvolvimento cerebral. Clinicamente, a suspeita surge da observação de atrasos no desenvolvimento da linguagem, dificuldades em estabelecer contato visual e reciprocidade emocional, inflexibilidade a mudanças de rotina e reações atípicas a estímulos sensoriais. A história clínica detalhada, com relatos dos pais sobre o desenvolvimento e comportamento da criança, é a base para a suspeita diagnóstica, que deve ser confirmada por avaliação multidisciplinar. Para residentes, é vital reconhecer que o diagnóstico de TEA é clínico, baseado nos critérios do DSM-5, e não depende de um único exame ou escala. Ferramentas de triagem como a M-CHAT são úteis para identificar risco, mas não são diagnósticas. O manejo envolve terapias comportamentais, fonoaudiologia, terapia ocupacional e suporte psicopedagógico, visando desenvolver habilidades sociais, comunicativas e adaptativas. A intervenção precoce é a chave para maximizar o potencial de desenvolvimento da criança e melhorar sua qualidade de vida.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais de alerta para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) em crianças pré-escolares?

Os principais sinais de alerta para o TEA em pré-escolares incluem dificuldades na comunicação verbal e não verbal (atraso na fala, ausência de frases, pouco contato visual), déficits na reciprocidade social (não responder ao nome, não compartilhar interesses), padrões restritos e repetitivos de comportamento (insistência na rotina, movimentos estereotipados) e alterações no processamento sensorial (hipo ou hipersensibilidade a sons, texturas).

Como a dificuldade de comunicação e interação social se manifesta no autismo em crianças pequenas?

A dificuldade de comunicação e interação social no autismo pode se manifestar como atraso ou ausência de fala, uso atípico da linguagem, dificuldade em iniciar ou manter conversas, pouco contato visual, ausência de gestos sociais (apontar, acenar), dificuldade em compartilhar emoções ou interesses, e preferência por brincadeiras solitárias ou repetitivas em vez de interativas com pares.

Qual o papel da escala M-CHAT no diagnóstico de autismo?

A escala M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers) é uma ferramenta de triagem, não diagnóstica, utilizada para identificar crianças com risco aumentado de TEA. Ela deve ser aplicada rotineiramente em consultas pediátricas para rastreamento, e um resultado positivo indica a necessidade de avaliação diagnóstica mais aprofundada por uma equipe multidisciplinar.

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