Diagnóstico de TEA: Sinais de Alerta e Diagnóstico Diferencial

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025

Enunciado

Pré-escolar, sexo masculino, com 3 anos de idade é trazido ao médico, pois os pais estão preocupados com seu desenvolvimento. Ele possui pouca articulação de apenas quatro ou cinco palavras e não combina duas palavras na mesma frase. Ele indica seus desejos apontando e grunhindo. Os pais dizem que ele entende muito mais do que ele expressa. Ele é muito relutante para interagir com outras crianças, preferindo brincar sozinho. Ele corre bem, pedala um triciclo, equilibra-se sobre um pé, alimenta-se sozinho e se veste parcialmente sozinho. O diagnóstico diferencial dessa criança deve incluir:

Alternativas

  1. A) Paralisia cerebral.
  2. B) Transtorno do espectro autista.
  3. C) Síndrome de Tourette.
  4. D) Transtorno de ansiedade de separação.

Pérola Clínica

Atraso de fala + isolamento social + interesses restritos = Suspeita de TEA.

Resumo-Chave

O diagnóstico de TEA deve ser considerado em crianças com atraso na fala associado a dificuldades persistentes na interação social e comunicação não verbal.

Contexto Educacional

O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento com prevalência crescente. O diagnóstico é essencialmente clínico e deve ser realizado o mais precocemente possível para permitir intervenções terapêuticas que melhorem o prognóstico funcional. Os sinais de alerta em pré-escolares incluem a ausência de contato visual, não responder ao nome, não compartilhar atenção (mostrar objetos) e a preferência por brincadeiras solitárias. O diagnóstico diferencial é amplo e inclui deficiência auditiva (sempre deve ser solicitada avaliação audiológica), deficiência intelectual, transtornos específicos da linguagem e privação psicossocial. No caso apresentado, a criança possui habilidades motoras finas e grossas preservadas para a idade de 3 anos, o que reforça que o problema é específico da esfera sociocomunicativa. O manejo envolve equipe multidisciplinar com fonoaudiologia, psicologia (terapia ABA ou similar) e terapia ocupacional.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios principais para o diagnóstico de TEA?

De acordo com o DSM-5, o diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA) baseia-se em dois domínios principais: 1) Déficits persistentes na comunicação social e na interação social em múltiplos contextos (como dificuldade na reciprocidade socioemocional, comportamentos comunicativos não verbais e em desenvolver/manter relacionamentos); 2) Padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. No caso clínico, a criança apresenta poucos vocábulos, não forma frases, prefere brincar sozinha e utiliza grunhidos/apontar em vez de linguagem social, preenchendo critérios de alerta para o espectro.

Como diferenciar o TEA de um atraso isolado de linguagem?

No transtorno isolado de linguagem, a criança apresenta dificuldade na aquisição da fala, mas mantém o desejo de interação social, utiliza gestos compensatórios complexos, mantém contato visual adequado e apresenta jogo simbólico preservado. No TEA, o atraso de fala é acompanhado por uma falha na 'intenção comunicativa' e na interação social. A criança da questão, embora entenda ordens, é relutante em interagir com pares e prefere o isolamento, o que aponta fortemente para o componente social deficitário característico do autismo, e não apenas um atraso motor ou fonológico da fala.

Qual a importância da avaliação do desenvolvimento motor no diagnóstico diferencial?

A preservação das habilidades motoras (correr, pedalar, equilibrar-se, vestir-se) ajuda a excluir diagnósticos como Paralisia Cerebral ou atrasos globais do desenvolvimento graves. No TEA, é comum que os marcos motores sejam atingidos no tempo esperado, enquanto os marcos sociais e de linguagem sofrem desvios ou atrasos significativos. Essa dissociação entre o desenvolvimento motor normal e o desenvolvimento social/comunicativo alterado é uma característica frequente que auxilia o pediatra a direcionar a investigação para transtornos do neurodesenvolvimento como o autismo.

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