SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2022
Um paciente de 2 anos e 3 meses de idade foi levado ao ambulatório de pediatria pela mãe, pois ela está preocupada com um “caroço” no pescoço do filho, que ela notou há cinco meses. Relatou que o filho é bastante ativo, que se alimenta bem, sempre ganhou peso, mas fala pouco e palavras difíceis de compreender. Ademais, há muito tempo apareceram alguns machucados no couro cabeludo dele, que o menino coça bastante e tem algumas crostas. Ao exame físico, constataram-se altura = 90 cm (escore z 0), peso = 12,300 kg (escore z entre 0 e -2), FC = 120 bpm, FR = 26 irpm e SatO2 = 97% em AA. No couro cabeludo, há várias lesões com crostas melicéricas e presença de linfonodo retroauricular medindo 1,5 cm, móvel, fibroelástico, indolor à palpação. Observaram-se oroscopia, dentes em bom estado, sem lesões, sem frênulo lingual, otoscopia, com membrana timpânica translúcida, sem abaulamentos ou retrações e ausculta cardíaca, BNF, RR, 2t, sem sopro. Verificaram-se, ainda, ausculta pulmonar, MVUD, sem RA, abdome, RHA+, depressível, sem megalias, indolor à palpação e genitália com testículos em bolsa escrotal e fimose. Com base nesse caso clínico e nos conhecimentos médicos correlatos, julgue o item a seguir.Investigação de autismo deve ser realizada em crianças que não falam aos 18 meses de idade e, entre os métodos de avaliação, está a escala M-CHAT.
Atraso de fala aos 18 meses → Rastreio obrigatório para TEA. Ferramenta padrão: Questionário M-CHAT.
O diagnóstico precoce de TEA é fundamental; qualquer atraso na linguagem ou falha na interação social aos 18 meses exige investigação com escalas validadas como o M-CHAT.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades persistentes na comunicação social e na interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento. A prevalência tem aumentado globalmente, em parte devido à maior conscientização e melhores ferramentas de diagnóstico. A identificação precoce é um dos maiores desafios da pediatria moderna, pois permite intervenções que modificam a trajetória do desenvolvimento. No caso clínico apresentado, a criança de 2 anos e 3 meses apresenta atraso de fala ('fala pouco e palavras difíceis de compreender'), o que é um marcador clássico para investigação. Embora o foco inicial da mãe possa ser um 'caroço' (linfonodo retroauricular provavelmente reacional às lesões de couro cabeludo), o médico deve estar atento ao desenvolvimento global. A escala M-CHAT é o padrão-ouro para triagem inicial, sendo essencial para diferenciar atrasos simples de linguagem de transtornos mais complexos da comunicação social.
O M-CHAT (Modified Checklist for Autism in Toddlers) é uma ferramenta de rastreamento validada para identificar sinais precoces de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele deve ser aplicado rotineiramente em todas as crianças nas consultas de puericultura entre 16 e 30 meses de idade. O questionário é respondido pelos pais e foca em comportamentos de interação social, comunicação e interesses restritos. Um resultado positivo no M-CHAT não fecha o diagnóstico de autismo, mas indica a necessidade de uma avaliação diagnóstica mais aprofundada por especialistas e intervenção precoce, visando aproveitar a plasticidade cerebral da criança.
Aos 18 meses, os sinais de alerta ('red flags') incluem: ausência de atenção compartilhada (não olha para onde o adulto aponta), não apontar para mostrar interesse em objetos, contato visual pobre ou inconsistente, não responder quando chamado pelo nome, e ausência de palavras simples ou tentativas de comunicação funcional. Outros sinais incluem brincadeiras atípicas (enfileirar objetos em vez de brincar funcionalmente) e reações sensoriais incomuns. O atraso de fala, embora comum em várias condições, no contexto de falha na comunicação não-verbal, aumenta significativamente a suspeita de autismo.
Após um rastreio positivo (como no M-CHAT), a criança deve ser encaminhada para uma avaliação multidisciplinar, preferencialmente com neuropediatra ou psiquiatra infantil, além de fonoaudiólogo e psicólogo especializado. O diagnóstico de TEA é clínico, baseado nos critérios do DSM-5. No entanto, as intervenções terapêuticas (como terapia ocupacional, fonoaudiologia e análise do comportamento aplicada - ABA) não devem aguardar o fechamento do diagnóstico definitivo. Quanto mais cedo a estimulação for iniciada, melhores serão os resultados em termos de autonomia, linguagem e habilidades sociais ao longo da vida.
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