PSU-MG - Processo Seletivo Unificado de Minas Gerais — Prova 2025
O transtorno do espectro autista (TEA) é considerado um transtorno no desenvolvimento caracterizado por déficits e dificuldades na comunicação e interação social. Os sinais podem estar presentes desde os primeiros anos de vida e seu prognóstico melhora com a intervenção precoce. É recomendado o uso de instrumentos de triagem como o Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHART-R/F). Sobre esse instrumento é CORRETO afirmar:
M-CHAT-R/F = triagem universal (16-30 meses); positivo ≠ diagnóstico de TEA (pode ser atraso global).
O M-CHAT-R/F é uma ferramenta de rastreamento populacional baseada no relato dos pais; resultados alterados indicam risco de TEA ou outros atrasos do desenvolvimento.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um transtorno do neurodesenvolvimento caracterizado por déficits persistentes na comunicação social e padrões restritos/repetitivos de comportamento. O diagnóstico precoce é o principal determinante do sucesso terapêutico. O M-CHAT-R/F surgiu como uma evolução das ferramentas de triagem, permitindo uma identificação rápida no nível da atenção primária. Fisiopatologicamente, o TEA envolve alterações na conectividade sináptica e na poda neuronal. Ferramentas como o M-CHAT focam na 'atenção compartilhada' (como seguir um apontar), que é um marco do desenvolvimento social que costuma estar ausente ou atrasado no autismo. O entendimento de que o teste pode apontar para outros atrasos de linguagem reforça a necessidade de uma visão holística do desenvolvimento infantil pelo pediatra.
O Modified Checklist for Autism in Toddlers, Revised with Follow-Up (M-CHAT-R/F) é validado para ser aplicado em crianças entre 16 e 30 meses de idade. No Brasil, o Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria recomendam que o rastreamento universal seja realizado nas consultas de rotina (puericultura) aos 18 e 24 meses. A aplicação precoce é fundamental porque o cérebro infantil possui maior plasticidade nessa fase, e a identificação de riscos permite o início imediato de intervenções terapêuticas, que comprovadamente melhoram o prognóstico funcional e a qualidade de vida da criança a longo prazo.
Não, o M-CHAT-R/F é uma ferramenta de triagem (screening) e não um instrumento diagnóstico definitivo. Ele foi desenhado para ter uma alta sensibilidade, o que significa que ele 'capta' a maioria das crianças com risco de TEA, mas isso resulta em alguns falsos positivos. Um escore alterado indica que a criança apresenta riscos no desenvolvimento que podem ser compatíveis com TEA, mas também com outros transtornos, como atraso global do desenvolvimento, deficiência intelectual ou transtornos específicos de linguagem. Após um resultado positivo, é obrigatória uma avaliação clínica detalhada por um especialista e, se necessário, o uso de instrumentos diagnósticos 'padrão-ouro' como o ADOS-2 e o ADI-R.
O questionário é estruturado para ser respondido pelos pais ou cuidadores primários da criança, pois eles são os observadores mais constantes do comportamento infantil em diferentes contextos. O profissional de saúde deve orientar o preenchimento e revisar as respostas, especialmente se houver dúvidas. O instrumento foca em comportamentos de atenção compartilhada, interação social e comunicação. É importante ressaltar que o relato dos responsáveis é a base do teste; se o profissional apenas observar a criança no consultório (onde ela pode estar inibida ou estressada), pode perder sinais sutis que ocorrem no ambiente doméstico, por isso a valorização da percepção familiar é um pilar do M-CHAT.
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