UFRGS/HCPA - Hospital de Clínicas de Porto Alegre (RS) — Prova 2018
Que achado, dentre os abaixo, não é considerado sinal de autismo no lactente?
Ansiedade de separação = marco normal; ausência de contato visual/sorriso social = red flags TEA.
O diagnóstico precoce de TEA foca na ausência de marcos sociais, como sorriso e contato visual. A ansiedade de separação é um comportamento esperado em lactentes neurotípicos.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é um distúrbio do neurodesenvolvimento caracterizado por dificuldades na interação social e padrões de comportamento repetitivos. Na prática pediátrica, a identificação de sinais precoces é crucial para a intervenção precoce, que melhora significativamente o prognóstico a longo prazo. Os marcos sociais, como o sorriso social e o seguimento ocular, são os primeiros indicadores de normalidade no desenvolvimento da comunicação. A diferenciação entre comportamentos típicos e atípicos exige conhecimento profundo da puericultura. Enquanto a ansiedade de separação demonstra reconhecimento do 'outro' e estabelecimento de vínculo, o TEA manifesta-se pela 'cegueira social'. O rastreamento deve ser universal, mas a vigilância clínica deve começar desde os primeiros meses de vida, valorizando sempre as queixas parentais sobre o comportamento do lactente.
Os principais sinais de alerta, ou 'red flags', para o Transtorno do Espectro Autista (TEA) em lactentes incluem a ausência ou atraso significativo no sorriso social (geralmente esperado até os 2 meses), a falta de contato visual sustentado durante a amamentação ou interação, e o desinteresse persistente pela face humana. Outros sinais precoces envolvem a falta de resposta ao nome (após os 6-9 meses) e a ausência de balbucio social ou gestos comunicativos, como apontar. É fundamental observar a reciprocidade socioemocional, que está prejudicada desde cedo nesses pacientes, manifestando-se muitas vezes como uma criança 'muito calma' que não demanda atenção ou, inversamente, excessivamente irritável a estímulos sensoriais comuns.
Não, a ansiedade de separação é considerada um marco do desenvolvimento emocional normal e saudável, surgindo geralmente entre os 8 e 12 meses de idade. Ela indica que a criança desenvolveu a noção de permanência do objeto e um vínculo de apego seguro, reconhecendo os cuidadores como figuras de referência. No Transtorno do Espectro Autista, o que se observa frequentemente é o oposto: uma indiferença à presença ou ausência dos pais, ou uma falta de busca por conforto em situações de estresse. A ausência de ansiedade de separação na idade esperada pode ser, em alguns contextos, um sinal de alerta para prejuízos na comunicação social.
Embora possam coexistir, o TEA é caracterizado especificamente por déficits persistentes na comunicação social e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento. No atraso global do desenvolvimento, o prejuízo costuma ser uniforme em várias áreas, incluindo motora, cognitiva e linguagem. No TEA, o prejuízo na interação social é desproporcionalmente maior do que o atraso em outras áreas. O diagnóstico diferencial e a identificação de comorbidades exigem avaliação multidisciplinar e o uso de ferramentas de triagem validadas, como o M-CHAT-R/F, aplicadas sistematicamente nas consultas de puericultura entre 16 e 30 meses de idade.
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