UNAERP - Universidade de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022
Menino de 2 anos e 6 meses é trazido a consulta de puericultura pelos seus pais. Foi uma criança nascida de parto normal, a termo, adequada para a idade gestacional, Apgar 8/9, sem intercorrências no período neonatal. Ao ser chamado pelo nome, a criança entra no consultório, porém não responde ao cumprimento do pediatra. Seus pais queixam-se de dificuldade em controlar o comportamento da criança, que reage rigidamente às mudanças na rotina, apresentando grandes birras quando forçado a fazer de outra maneira. Anda bem sem apoio, corre, agacha e sobe escadas. No momento, não fala dissílabos. Quando algum familiar abana “tchau” para a criança, ela não responde de volta. À observação, a criança manipula de forma aleatória e repetida vários objetos, não responde ao chamado do examinador. Apresenta resistência exagerada ao exame físico. Exame geral e neurológico normais. Baseado no quadro apresentado, a principal hipótese diagnóstica é
TEA: dificuldade interação social, comunicação, padrões repetitivos de comportamento e interesses restritos.
A suspeita de Transtorno do Espectro Autista (TEA) deve surgir diante de atrasos na comunicação social, como não responder ao nome ou a gestos sociais, e pela presença de comportamentos repetitivos ou rigidez a mudanças, mesmo em crianças com desenvolvimento motor preservado.
O Transtorno do Espectro Autista (TEA) é uma condição do neurodesenvolvimento caracterizada por déficits persistentes na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento, interesses ou atividades. Sua prevalência tem aumentado, tornando o reconhecimento precoce fundamental para residentes e profissionais de saúde. A suspeita clínica surge a partir da observação de marcos de desenvolvimento não atingidos ou de comportamentos atípicos. A fisiopatologia do TEA é complexa e multifatorial, envolvendo fatores genéticos e ambientais que afetam o desenvolvimento cerebral. O diagnóstico é clínico, baseado na observação do comportamento da criança e em relatos dos pais, utilizando critérios do DSM-5. É crucial que o pediatra esteja atento a sinais como ausência de balbucio aos 12 meses, ausência de gestos sociais aos 12 meses, ausência de palavras isoladas aos 16 meses, ausência de frases de duas palavras aos 24 meses e qualquer perda de habilidades sociais ou de linguagem em qualquer idade. O tratamento do TEA é multidisciplinar e individualizado, focando em intervenções comportamentais, educacionais e terapêuticas (fonoaudiologia, terapia ocupacional, psicoterapia). Não há cura, mas as intervenções precoces podem melhorar significativamente a qualidade de vida e o desenvolvimento de habilidades. O prognóstico varia amplamente, mas a intervenção intensiva e precoce é o fator mais importante para um desfecho favorável.
Os principais sinais incluem atraso ou ausência de fala, dificuldade em manter contato visual, falta de resposta ao nome, ausência de gestos sociais (como acenar 'tchau'), interesses restritos e comportamentos repetitivos ou estereotipados.
No TEA, além do atraso de linguagem, há comprometimento da interação social recíproca e presença de padrões de comportamento, interesses ou atividades restritos e repetitivos. Um atraso de linguagem isolado geralmente não apresenta essas outras características.
A identificação precoce do TEA é crucial para iniciar intervenções terapêuticas o mais cedo possível, o que pode melhorar significativamente o prognóstico e o desenvolvimento de habilidades sociais e comunicativas da criança.
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