Triagem de TEA: O Papel do Questionário M-CHAT

IDOR - Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino - Rede D'Or (RJ) — Prova 2025

Enunciado

O Transtorno do Espectro do Autismo é um transtorno do desenvolvimento que se manifesta, em geral, em fases precoces da vida e que pode ter seu curso modificado a partir de terapias de estimulação iniciadas precocemente. A identificação de sinais de alerta, com a utilização de instrumentos específicos padronizados e validados, é fundamental, sendo reforçada pela legislação. O instrumento que se aplica à triagem e identificação dos sinais de alerta para o Transtorno do Espectro do Autismo, especificamente em crianças até 30 meses, é:

Alternativas

  1. A) Escala AQ-10.
  2. B) Escala de Denver.
  3. C) Questionário M-CHAT.
  4. D) Questionário SNAP IV.

Pérola Clínica

M-CHAT = Padrão-ouro para triagem de TEA entre 16 e 30 meses.

Resumo-Chave

O M-CHAT é uma ferramenta de triagem validada para identificar riscos de TEA precocemente, permitindo intervenções que melhoram o prognóstico neuropsicomotor.

Contexto Educacional

O Transtorno do Espectro do Autismo (TEA) é caracterizado por déficits persistentes na comunicação e interação social, além de padrões restritos e repetitivos de comportamento. A legislação brasileira, através da Lei 13.438/2017, torna obrigatória a utilização de protocolos validados para a triagem de riscos no desenvolvimento infantil em consultas de pediatria do SUS. O M-CHAT destaca-se pela facilidade de aplicação e alta sensibilidade. A identificação precoce, idealmente antes dos 24-30 meses, é crucial porque o cérebro infantil possui maior plasticidade neural nessa fase. Intervenções baseadas em evidências, como a Análise do Comportamento Aplicada (ABA), quando iniciadas precocemente, podem modificar significativamente a trajetória do desenvolvimento, melhorando a autonomia e a qualidade de vida da criança a longo prazo.

Perguntas Frequentes

O que é o M-CHAT e quando deve ser aplicado?

O Modified Checklist for Autism in Toddlers (M-CHAT) é uma ferramenta de rastreamento clínico validada para identificar crianças com risco de Transtorno do Espectro Autista (TEA). Ele deve ser aplicado rotineiramente em consultas de puericultura para crianças entre 16 e 30 meses de idade. O questionário consiste em 23 perguntas (na versão original) ou 20 perguntas (na versão revisada M-CHAT-R/F) respondidas pelos pais sobre o comportamento da criança, focando em atenção compartilhada, linguagem e interação social. É um teste de alta sensibilidade, projetado para detectar o máximo de casos possíveis, embora exija avaliação diagnóstica posterior para confirmação.

Qual a diferença entre o M-CHAT e a Escala de Denver?

A Escala de Denver (Denver II) é um instrumento de triagem do desenvolvimento global, avaliando quatro domínios: pessoal-social, motor fino-adaptativo, linguagem e motor grosso. Ela identifica atrasos gerais no desenvolvimento, mas não é específica para o autismo. Já o M-CHAT é focado especificamente em comportamentos que sinalizam o risco de TEA. Enquanto a Denver II pode mostrar que uma criança está atrasada em relação aos marcos motores ou de linguagem, o M-CHAT identifica falhas qualitativas na comunicação social que são patognomônicas do espectro autista, mesmo que outros marcos motores estejam preservados.

Como interpretar um resultado positivo no M-CHAT?

Um resultado positivo no M-CHAT não fecha o diagnóstico de autismo; ele indica que a criança está em risco e necessita de uma avaliação especializada detalhada. O manejo inicial envolve a aplicação da entrevista de seguimento (Follow-up) para reduzir falsos positivos. Se o risco persistir, a criança deve ser encaminhada para intervenção precoce imediata (estimulação) e para uma avaliação diagnóstica multidisciplinar, que pode incluir neurologistas pediátricos, psiquiatras infantis e psicólogos especializados, utilizando instrumentos padrão-ouro como o ADOS-2 e o ADI-R.

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